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Potiche: uma comédia exagerada

Por Carolina Zogbi Depois de fazer sucesso no festival de cinema Varilux em São Paulo e causar uma multa por fumar em um hotel …

Por Carolina Zogbi

Depois de fazer sucesso no festival de cinema Varilux em São Paulo e causar uma multa por fumar em um hotel da cidade, Catherine Deneuve já pode ser vista nas telonas. Com a direção de François Ozon, a musa francesa atua ao lado de Gérard Depardieu na comédia de costumes Potiche – a esposa troféu (Potiche, 2010).

No enredo, é uma dona de casa submissa (mas nem tão boba quanto parece) nos anos 70, casada com um rico industrial, dono de uma fábrica de guarda chuvas, autoritário com os empregados e a família. Quem já assistiu às novelas francesas vai notar muita semelhança: contado como se fosse uma historinha para a televisão, o tema principal do filme tem uma critica bem construída e narrada sarcasticamente, mostrada por personagens caricatos (até demais).

A comédia feminista começa a ser contada depois de uma greve e o sequestro do homem da família. E, obviamente, é sua esposa, Suzanne, quem precisa resolver os problemas, e ela se mostra uma grande mulher. História clichê, narrada por intermináveis 103 minutos, mas com uma bela fotografia e a parceria de Deneuve e Depardieu que até convence. Assim como na vida real, na trama eles relembram uma época de juventude e aventuras.

Não podemos tirar o mérito de toda a questão política e moral da história, que aborda de uma forma inteligente e bem humorada temas já tão batidos como a luta pelos direitos iguais das mulheres e as questões trabalhistas. Para ilustrar, a história tem muitas paixões, traições e descobertas sexuais. Tudo sem sair do tom de brincadeira e bonitinho e adequado para uma mulher de família do norte da França.

A grande controvérsia da produção é que ao levar demais no tom de brincadeira tudo acabou se transformando em uma comédia pastelão, e até mesmo uma grande “blague” (piada) da luta feminista. De filmes em que a atriz chegar a olhar pro espectador e “mandar o seu recado”. O tempo perdido vale pelas atuações dos atores franceses e pelo lindo local, mas apenas isso. Talvez tenha sido muita expectativa para pouca criatividade e inovação. 

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