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Qual o melhor Jornal do Brasil?

Por Roberto Andrade Há muito tempo, lá pelo início dos anos 80, ainda na época da faculdade, já discutíamos esta questão: qual o melhor …

Por Roberto Andrade

Há muito tempo, lá pelo início dos anos 80, ainda na época da faculdade, já discutíamos esta questão: qual o melhor jornal do Brasil? Na época, por consenso, era o próprio Jornal do Brasil, carinhosamente chamado de JB. O Jornal da Tarde, vespertino publicado na capital paulista, brilhava como o mais criativo no uso de recursos técnicos e artísticos. E a Folha de S. Paulo sugeria um novo jornalismo, ousado, moderno, mas carregado de erros pontuais. O que, aliás, ocorre até hoje.

Nas outras capitais os jornais pecavam pela excessiva regionalização das editorias. Equivocavam-se na escolha de profissionais que, para sustentar seus nomes no mercado local, expressavam opiniões simplórias sobre temas de muita importância. E estas empresas terminavam ficando editorialmente sempre à reboque das informações geradas pelas agências de notícias e pelos grandes jornais do Rio e São Paulo.

Passaram-se mais de vinte anos e a situação não se alterou significativamente. O Rio de Janeiro publica há muito tempo os melhores jornais brasileiros. Mesmo com freqüentes crises financeiras e movidos pela obsessão de superar a megalo-estrutura montada pelas Organizações Globo em torno de seu diário, O Globo, jornais como O Dia, Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa praticam um jornalismo de alta qualidade e mantém um público fiel a suas linhas editoriais. Sem desmerecer outros importantes impressos, eficientes e bem estruturados, como o Estadão, Folha de S. Paulo, Correio Brasilense ou Gazeta Mercantil, em média, na seqüência das coberturas jornalísticas e, principalmente, nas editoriais de opinião, os jornais cariocas dão uma lavada nos demais jornais brasileiros.

Com o fenômeno da Internet e o insipiente hábito dos leitores de jornal de usarem o computador para acompanhar as notícias do dia, iniciou-se uma importante transformação mercadológica que, em alguns anos, pode mudar o perfil d jornalismo impresso no Brasil. O fato é que, em todo País, os jornais on-line passaram a reproduzir as colunas com artigos e crônicas de grandes jornalistas, antes restritas àqueles que tinham acesso aos jornais do Rio e São Paulo. Desta forma, talentos como Elio Gaspari, Dora Kramer, Hélio Fernandes, Carlos Chagas, Luis Orlando Carneiro, Augusto Nunes, Merval Pereira, Ancelmo Gois, Franklin Martins, Ilimar Franco, Teresa Cruvinel e Villas-Boas Corrêa, entre outros, podem ser degustados diariamente através da Web nos quatro cantos do País. Com a democratização e a popularização da Internet este hábito também tende a crescer. E os bons jornalistas brasileiros serão mais lidos e, conseqüentemente, mais valorizados profissionalmente. Ganham todos.

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