Por Antonio de Oliveira
Os governos brasileiros (federal, estaduais e municipais) têm muitos problemas para resolver. Mas todos eles começam lá em baixo. “Tem que começar lá na escola, lá na família”, como diz o meu amigo Olea.
Educação, saúde e segurança estão sempre ponteando as pesquisas que buscam indicar as deficiências nos serviços públicos de atendimento à população, variando de ordem de um lugar para outro. Mas a educação, normalmente, aparece em todas as manifestações.
Se formos pesquisar nos municípios onde não há questionamentos nas áreas de saúde e de segurança, vamos ver que o de educação foi também resolvido bem antes. E onde há marginalidade, insegurança e deficiências no atendimento à saúde, veremos que a educação é o pior deles e nem foi pensado ainda.
Quando você lê que pessoas estão esperando em filas de emergências de hospitais públicos por seis, oito horas (e isto já ocorre igualmente em hospitais particulares que atendem planos de saúde), também nota que entre eles há pais que estão nestas filas com crianças apenas gripadas e com febre, isto é, pessoas que não deveriam estar ali, mas sendo atendidas num posto de saúde, por exemplo.
É a falta de educação que mantém viva esta cultura hospitalar para tudo, para dor de cabeça, de cotovelo, asma, gripe, espirro. Outro dia, li numa matéria de jornal um senhor de idade dizendo que ia lá no Hospital Conceição, para tratar de um problema simples por que estava “acostumado” e que lá as pessoas “tratam bem a gente”.
Simples, não? Pois é. Este senhor e o pai da criança com febre estão engordando a revolta e a fila das emergências por falta de orientação, de educação. Este, sim, deveria ser um tema nos valorosos espaços publicitários que o Sindicato Médico paga nos meios de comunicação. Ou não? Assim, acho que estaria atuando melhor como entidade de classe para ajudar a resolver os problemas da área da saúde, construindo cidadania, em vez de só fazer barata demagogia.
O Sistema Único de Saúde (SUS) e seu funcionamento são outras coisas que as pessoas têm que entender e os governos têm que explicar didaticamente enquanto a educação e a saúde não chegam para todos.
Pois o SUS foi criado para que, qualquer um, apenas com a apresentação de sua carteira de identidade, possa ser atendido pelo sistema de saúde, em qualquer lugar do Brasil, sem mais burocracias, caso ainda não tenha a carteira do sistema.
No fundo, tudo é uma questão de educação. É ela que traz mais saúde e mais segurança. E temos que dizer também às pessoas que atirar pedras não é a melhor maneira de se resolver estas questões. Talvez até a surdez seja um problema a ser tratado, mas não nas salas e filas de emergência, que devem atender só emergências, não gripe e resfriado. E muita participação para melhorar a política que decide tudo nas nossas vidas.
Outra atitude que não resolve o problema é os níveis de governo ficarem um jogando a culpa para o outro. O respeito e a educação entre eles é que levará à discussão serena, republicana, das questões e ao encontro de soluções.
Há os que falam que falta recursos para a saúde, mas eu me atrevo a dizer que só recursos não resolve, embora realmente falte e faltará sempre, pois estaremos eternamente a exigir as melhores condições possíveis no mundo. Mais recursos sem uma gerência e uma fiscalização efetivas do setor só servirão para aumentar a corrupção, que ainda não afastamos da nossa cultura, justamente (em grande parte) por falta de educação.
O problema é que quando dói a dor em qualquer pessoa, e mais ainda nos nossos filhos, vão-se embora a educação e a racionalidade e vêm as duras e justas cobranças. Sem educação – porque a pessoa não a teve no momento exato – e por falta de informação. Mesmo com decisão política, a previsão é de uma longa demora.

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