O que dizer no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, quando se está num país como o Brasil, em 2021? Ou poderíamos estar na Coréia do Norte, Mianmar, ou mesmo na Rússia, que parece não ter perdido as piores características da antiga União Soviética. De todos os cantos, ecoam lamentos ou em relação aos que morrem por exercerem sua profissão, ou porque, de modo geral, as notícias são sufocadas pelo regime vigente.
Reclamamos também aqui, muito embora não se possa comparar com o exercício em lugares como a já citada ‘República Popular da Coréia’, ou mesmo na Arábia Saudita, onde mandam esquartejar jornalista que ousa criticar o governo. Nações com regimes de exceção não reconhecem a liberdade esta hoje comemorada.
Mas voltemos para nosso quintal, onde não é menos sofrido exercer com liberdade o bom Jornalismo.
E diferentemente das dificuldades impostas por ideologias dominantes em lugares governados por déspotas, aqui no Brasil se mata para ocultar verdades. Se prende para calar uma voz discordante. Ou não é o que acontece em lugares inóspitos deste Brasil varonil? E não precisa ser apenas nestes não, em grandes metrópoles ocorre o mesmo, seja Belo Horizonte ou Brasília. Mas temos, no momento, a inauguração do raso e do abjeto. Aqui, a lâmina não esquarteja. Apenas chama de idiota ou manda à puta que o pariu. De enforcados na cela, convenhamos, à baixaria da expressão de calão, já é um avanço. Triste o país em que se louva esta evolução, mas enquanto estiverem vivos os escribas, ou âncoras, ou locutores, ou repórteres, todos que nos alimentam a alma diariamente, sempre haverá esperança.
Não dá para politizar o debate atual sobre os limites da liberdade de expressão. Há muita confusão na interpretação dos limites constitucionais, e tem servido a interesses difusos muitas vezes. Mas que está estranho, isto está. A liberdade de imprensa, pelo menos em relação à grande mídia, ainda é respirada no País, mas digamos que é uma respiração entrecortada, pois a pena é grande caso não reze na cartilha do governante de plantão. Há organismos que ou decolam, ou minguam, conforme o relacionamento estabelecido com a ordem vigente.
E, neste momento, temos grandes grupos de comunicação à margem das verbas federais por suas opiniões ou de seus próceres, e outros que sem ruborizar fazem a opção até mesmo de ocultar verdades ou transmutá-la por causa deste botim.
Podemos concordar que, se é necessário termos um dia especial para lembrarmos, é para que não esqueçamos que sem a liberdade de imprensa não há democracia.
O que seria do País se não viessem à tona os mal feitos na Petrobrás? Ou na Lava Jato?
Diz-se que em duas linhas se destrói uma reputação ou se incensa um canalha. O uso desta liberdade dá a dimensão dela própria. Que seja bem usada. Sempre e em todo o lugar.
Iraguassu Farias é diretor comercial de Coletiva.net.


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