Por Vilson Antonio Romero 2005 já vai tarde! Apesar de alguns bons registros, a marca da perda é mais forte! Símbolos como Ronald Golias, Emilinha Borba e Bezerra da Silva somam-se à grande lacuna deixada pelo Papa João Paulo II, entre milhares de vidas que se foram. Os sinais da tragédia continuaram na desumanidade diária do Oriente Médio, na violência da natureza, como o avassalador Katrina, que desnudou a miséria da potência do Norte. O registro político fica com o confronto do caudilho venezuelano e os EUA e a assunção de uma mulher ao comando da grande nação germânica.
Cá em Pindorama, seguimos em passos de tartaruga em quase tudo, apesar das propagandas oficiais de que tudo vai “às mil maravilhas”. Continuamos campeões mundiais do futebol, mas também da desigualdade e concentração de renda e das taxas de juros. Ocupamos posições medíocres nos rankings mundiais de competitividade, tecnologia da informação, desenvolvimento humano, liberdade de imprensa e na percepção da corrupção. Neste quesito, a corrupção, a chaga aberta em 2005, vai demorar muito para cicatrizar. Escancararam-se os portais que obscureciam a visão e obstruíam a passagem da lama que escorreu das Casas do Congresso Nacional, onde mensalões, caixas dois, práticas espúrias e ilegais foram trazidas a público, derrubando e cassando políticos de maior e menor expressões.
Na economia, apesar de o risco-Brasil estar no patamar mais baixo das últimas décadas, a chorada carga tributária paquidérmica e a estratosférica taxa de juros, aliadas à competição internacional e, até, à febre aftosa, sinalizam com uma retração desestimuladora do PIB.
Houve, também, no ano que escoa entre nossos dedos, o escândalo no futebol, um craque argentino como o melhor jogador do País, a prisão do ex-prefeito paulistano, a invasão no santuário da moda chique, o não ao desarmamento mal explicado e, no mundo, muita violência na França.
Que venha logo 2006! Com muito cuidado, pois devemos atentar que é um ano eleitoral. Uma infinidade de palanques se espalhará por todo o País. As promessas políticas de solução para tudo estarão rondando o eleitor. Mas há algumas que não dependem dos candidatos. Por exemplo, a promessa de crescimento da safra de grãos em mais de 10%, que pode aliviar um pouco a economia. A promessa da queda dos juros, também. Há, acima disto, a promessa do campeonato de futebol na Alemanha. E há vida… muito mais vida para ser vivida…Adeus, 2005! Bem-vindo, 2006!

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