Por Cesar Paz Duas semanas atrás, afirmei que as semanas seguintes seriam especialmente engraçadas para o país. Duvidava, inclusive, que a Diarista ou o Casseta e Planeta superassem em humor o que o deputado Roberto Jefferson, seus amigos e seus inimigos nos preparavam. Pois é… Bingo!
Durante os últimos 15 dias, tivemos várias passagens hilariantes, como o depoimento do empresário/publicitário/careca (em tempos de interatividade você pode optar pelo adjetivo e/ou profissão) Marcos Valério ou de sua ex-secretária. Mas o prato principal, como não poderia deixar de ser, foi o novo depoimento do nosso protagonista principal, o deputado federal e líder licenciado do PTB, Roberto Jefferson. Na última quinta-feira, fui dormir às 2h30 da madrugada, acompanhando o novo depoimento/comédia do ex-gorducho e nobre deputado.
Lamentei que o depoimento tivesse tido pouca divulgação. Deveriam ter contratado uma agência de propaganda bacana especialmente para a divulgação desse evento (logicamente que a DNA e SMP&B não participariam dessa concorrência). A Agência, a partir de um detalhado briefing da Comissão de Ética e Justiça, do presidente e do relator da CPMI e do próprio deputado, faria uma campanha-relâmpago que certamente aumentaria o interesse pelo evento, podendo, inclusive, viabilizar um projeto comercial e vender algumas cotas de patrocínio. Imaginem o deputado depondo durante 9 horas, direto pela TV Senado, e tendo atrás de si, por exemplo, alguns banners da “Vivo” e vestido uma “jaqueta reversível do Tevah”! Seria uma grande sacada!
Bom, mas vamos ao depoimento/comédia propriamente dito. Levei um susto e quase não acreditei quando o dr. Jefferson apareceu para depor com o olho esquerdo completamente roxo! Raras são as comédias que nos fazem rir antes da primeira fala, talvez apenas o Jerry Lewis nos idos dos anos 60 ou Os Três Patetas anos depois tivessem esse potencial. A TV Senado e o Roberto Jefferson conseguiram. Bravíssimo!!!
Pensei comigo: “Danado esse pessoal da TV Senado! Quero ver essa maquiagem agüentar até o final do depoimento”. Mas eles não são bobos e de duas em duas horas uma maquiadora disfarçada de assistente-enfermeira, sob o pretexto de verificar o ferimento do nobre deputado, entrava e, discretamente, retocava a sua maquiagem.
Tudo se desenhava tão engraçado que a senadora Heloisa Helena, do PSOL (arrghh!), resolveu levar a afilhada de oito anos ao depoimento. Pô, sacanagem da dinda? Não, presentão!!! A menina adorou, ficou horas e horas na platéia, riu muito e parece que só reclamou da ausência das pipocas e do deputado Severino!
Mas o melhor ainda estava por vir: quase tive cãibra na barriga quando o senador Suplicy passou 15 minutos do seu tempo de cinco tentando articular alguma pergunta e acabou preferindo, depois de se enredar toda na sua rede neuronal, fazer referência a sua experiência de ex-pugilista e perguntar ao deputado se aquele olho roxo não seria um direto de direita!
Como em toda grande comédia, o melhor ficou para o final. O depoimento mais aguardado da CPI acabou às gargalhadas. Foi quando o deputado Roberto Jefferson finalmente explicou que se machucou ao procurar um CD com a música Nervos de aço, do nosso Lupicínio Rodrigues (duas voltas no caixão!!!), dentro de um armário de sucupira. “Segurei num armário de 200 quilos, aqueles antigos da Câmara, e ele bateu aqui, me botou pra dormir…”
Puxa, uma pena que não tenham aberto contagem…

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