O “muda?”, no título, não é o substantivo próprio da atriz de Pantanal, que levou Levi à morte pelas piranhas (o que Muda, decididamente, não é). Também não se refere à mudez, silêncio… É do verbo mudar mesmo.
A semana inicia com a notícia de alterações substanciais no Grupo RBS, que deverá render muita conversa, muitas opiniões, dúvidas e até memes. Afinal, são mudanças no principal grupo de mídia do Sul do País, e não passam ao largo no noticiário. Quem, contudo, não está no centro dos acontecimentos ou envolvido no processo, limita-se à inferência ou palpites a partir do que é divulgado. E isto muitas vezes não diz tudo.
A surpresa é o “reaparecimento” de Nelson Sirotsky – frise-se “não executivo”, como uma espécie de guardião da linha editorial do grupo. O dia-a-dia será de um Comitê Editorial. Impacta pela presença dele. Não mais que isto.
O Conselho de Acionistas acabou. Agora é de Representantes, e nele ingressa – eis a grande novidade, Fernando Tornaim como vice-presidente. A alteração parece conferir-lhe um grande poder. Os demais membros antigos permanecem e a eles se somam Mauricio Sirotsky Neto e Juliano Pereira, ambos de empresas de participação – ou fundos, de investidores, como quiserem.
Tudo isto acontece como etapa seguinte à criação da RBS Ventures. Em tradução literal, ventures é risco. Mas toda empresa é… certo? Pois bem, a RBS havia anunciado, no início de 2022, a criação desta empresa, num comunicado até meio confuso ou incompleto à época.
Ao fim e ao cabo, a mudança parece dizer:
a) Criamos uma empresa para cuidar de negócios novos em todos os sentidos, bem ao gosto dos tempos atuais. Novos por inovadores, por diferentes, por tecnológicos em essência. Mas diversos dos que se ocupavam até então. Games e entretenimento devem ser os principais pilares;
b) Os negócios de mídia permanecem como sempre foram;
c) Para não “desgarrar” das origens, Nelson se envolverá para assegurar isto à linha editorial;
d) Capitalistas de risco se juntam ao grupo e com grande poder (não necessariamente com ações preferenciais ou ordinárias nominativas).
O que não está dito?
a) A RBS Ventures poderia ser mais um dos investimentos diversificados que o grupo tem/teve: vinhos, tv a cabo, construção civil, telefonia e outros. Sobre alteração na constituição societária, nenhuma palavra. Desconheço se houve Assembleia Extraordinária de eventual holding da família, dando conta da alteração. Portanto, supõe-se que o controle não saiu da mão da família e não há que se falar, neste caso, em alteração societária;
b) Se não há mais Conselho de Acionistas e sim de Representantes, a soberania societária permanece inalterada como sempre foi, e fala – em tese -, por estes atuais outorgados. Mas por que o cargo de vice-presidente do Conselho de Representantes é ocupado por alguém que – de novo, em tese -, é apenas sócio da RBS Ventures, Fernando Tornaim? E por que também ingressa neste conselho um herdeiro, dono da Maromar, se ele igualmente seria sócio da Ventures e não de todo o grupo?
Vamos falar de dinheiro? A integralização do capital social da Ventures, supostamente, terá sido feita pela RBS e pelos fundos TKPar e Maromar, certo? Ou os fundos adquiriram parte das ações do grupo e o total do capital da Ventures é da RBS (de onde fariam parte, agora, estes fundos).
O modelo de holdings com participações matriciais e cruzadas é muito utilizado por grandes corporações, e mais especialmente nas ventures, tratando realmente como risco o investimento em novos, novíssimos negócios. Acredito que seja, já com participação de fundos, de realmente diluir possíveis fracassos sem contaminar o negócio principal.
O Grupo RBS investiu e tem investido grosso recurso em atualização tecnológica de seus negócios originais. Daqui pra frente, parece, vai investir em negócios de futuro, alguns que nem existem ainda, e que exigem boa dose de ousadia. Se bem que outros já estão fazendo há algum tempo.
Ao que tudo indica, as notícias sobre vendas do Grupo RBS para terceiros, tão alardeadas desde muito, estão sepultadas. Pelo menos no modo convencional, pois poderá ser aos pedaços, aos poucos. Eu não acredito que a família reduza a menos de 50%+1 seu controle, assim como acho que procurarão cada vez mais adaptar-se aos novos tempos, que certamente passam por repensar o modelo das mídias convencionais. Também podemos estar diante de um “Cavalo de Tróia”. Se for, mais adiante saberemos.
Ou podem estar com receio do atual presidente da República não renovar a concessão da Globo…..hehehehe. Mas aí é outra história.
Esperarei ansiosamente por três coisas: meu aniversário, eleições de outubro tranquilas e a ata da próxima Assembleia Geral Ordinária do Grupo RBS.
Iraguassu Farias é diretor Comercial de Coletiva.net


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