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Rumo ao Bar sem Censura

Por João Firme Freqüentamos a Associação Riograndense de Imprensa desde 1965, quando lançamos num sábado de setembro, no bar da entidade, a Exposição dos …

Por João Firme

Freqüentamos a Associação Riograndense de Imprensa desde 1965, quando lançamos num sábado de setembro, no bar da entidade, a Exposição dos Financiados da Aliança para o Progresso, promoção da 1ª turma da Famecos/PUC. Nessa trajetória, sempre participamos como associado e exercemos inúmeros cargos, além de sermos conselheiro.

Nas reuniões de Diretoria e do Conselho dirigidas por Alberto André – e por sinal, em dezembro, estaremos comemorando 90 anos do seu nascimento –, recolhíamos o saber e a experiência do grande jornalista, paladino da liberdade de expressão. Sempre que um colega era condenado ou processado pelo exercício da profissão, ele se solidarizava e chegava a propor seu nome como avalista da inocência. Tinha horror a qualquer tipo de cesura.

Em novembro de 1984, aconteceu uma determinação judicial do titular da 2ª Vara de Sapucaia do Sul, proibindo a Rádio Guaíba, o Jornal do Brasil e o Vale do Sinos de publicarem matéria em que constasse o nome do juiz Luiz Melíbio Uiraçaba Machado, na época presidente do Tribunal de Alçada do RS.

A liminar concedida causou impacto nos meios de divulgação e atingiu diretamente a ARI, na pessoa de Alberto André, que insurgiu-se contra, juntamente com outros jornalistas. Eram 23h do dia 12 de dezembro daquele ano, e na nossa residência tocou o telefone. No outro lado da linha, o nosso ex-professor de Direito Processual na Faculdade de Direito de Passo Fundo em 1973, Luiz Melíbio. “Seria possível você intermediar uma reunião com o Conselho de Ética da ARI para explicarmos os fundamentos da ação cautelar em Sapucaia?”. Respondi: Professor, com muito prazer telefonaremos para o Dr. André, agora mesmo, desde uma vez que o senhor se comprometa a revogá-la.

A reposta foi positiva, mas pediu-nos que esta informação fosse dada por ele, após ser ouvido pelo Conselho de Ética. Às 23h30min, falamos por telefone com o nosso “guru” e transmitimos a solicitação do hoje desembargador Melíbio, que acabou entrando para a história como o homem que abriu a justiça gaúcha para a sociedade. Na mesma noite, o insigne Dr. André convocou Manoel Braga Gastal, Sérgio da Costa Franco e Roberto Brenol, para no dia seguinte, às 16h, ser ouvido na sede da ARI o arauto dos juízes do RS. No horário marcado, começou a reunião, com Alberto André e nós como secretário dos trabalhos. Representando a Guaíba, Lasier Martins, e o Jornal do Brasil, Lucidio Castelo Branco.

Depois de justificar por quase uma hora a iniciativa do seu procurador, afirmou que no dia seguinte ajuizaria o pedido de baixa da medida cautelar, e com autenticidade e humildade pediu desculpas pelo ocorrido. Ao encerrar, a reunião,

Alberto André deu uma aula sobre liberdade de imprensa, posicionando-se contrário a qualquer censura. E sorrindo, expressando um ar de felicidade, convidou a todos para comemorar com a célebre frase “Rumo ao bar”.

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