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Sementinhas de prepotência

Por Glauco Fonseca Semana passada, liguei para um amigo no Rio de Janeiro que estava deixando a presidência de uma gigantesca holding, transferindo-se para …

Por Glauco Fonseca

Semana passada, liguei para um amigo no Rio de Janeiro que estava deixando a presidência de uma gigantesca holding, transferindo-se para o conselho de administração desta mesma holding. A secretária atendeu gentilmente, como sempre, e passou o telefone para o meu amigo, responsável por um conjunto de mais de 35 empresas no país, com faturamento de bilhões de reais por ano.

 Fala gaúcho! – disse ele, atendendo ao telefone pronta e amistosamente, como sempre.

Falamos por alguns minutos. Eu tinha uma informação importante a passar a ele e aproveitei a oportunidade para congratulá-lo pela promoção. Amável e cortês como sempre, esse meu amigo possui mestrado em Harvard e doutorado pela Universidade de Paris. No entanto, e a despeito disto, é de uma simplicidade que eu chamo de simplicidade dos vitoriosos, dos vencedores. Neste quesito, eu acho até que ele tenta, em vão, tirar o seu próprio brilho ao usar no trabalho umas alpargatas surradas que, dando a ele uma certa acessibilidade, mesmo assim não conseguem tirar uma lasca sequer de sua magnífica personalidade.

Outro amigo importante, que hoje dirige uma empresa internacional voltada ao trade turístico, é um outro caso de gente que é importante, sim, por sua qualidade pessoal e não por conta da logomarca ou do cargo que exerce. Ele tem um humor privilegiado, tanto quanto sua inteligência. Vive superando metas, um verdadeiro go-getter, e está sempre ganhando prêmios internacionais. Um verdadeiro visionário, um trendsetter de classe mundial. Pois esse meu amigo é também alguém que a gente liga e ele atende. E se não pode atender, fica de ligar depois e realmente liga.

Vida longa e próspera a esses dois amigos que, mesmo sendo os melhores profissionais, não deixam a marca de suas organizações serem usadas como “firewall”.

Aqui no RS, entretanto, tem cada figurinha…

Uma empresa grande aqui tem fama de prepotente. Esta fama seria devida se ela realmente fosse prepotente, o que não é. Os donos, acessíveis, são pessoas tão agradáveis quanto especiais e sobretudo não perdem contato com o mundo por conta ou de seus sobrenomes ou de suas marcas.

Só que lá tem alguns diretores e gerentes que lançam no mercado, diariamente, as desnecessárias sementinhas de prepotência que são tão indevidamente atribuídas à organização. Ou não são acessíveis – mesmo que o assunto seja de interesse da organização – ou revestem-se de uma importância principesca, imprópria, inadequada e antiquada.  Como resultado, 10 ligações não são suficientes para atingi-los e recados, então, volatilizam-se como éter entre a mesa da secretária e o “gabinete” de tão portentosas personalidades.

Assim que esses plantadores de arrogância, por mais que sejam até rentáveis, também contribuem para uma pecha que a organização não merece. A empresa vai descobrir, um dia, que eles contribuem menos do que o possível, que seu perfil é inadequado para os dias de hoje e que, acima de tudo, a prepotência que a empresa tanto luta para desfazer é recriada diariamente por eles.

Todos eles sabem quem são. E o que eles tem em comum é que, ao perguntar a eles se eles visitaram a  Coletiva ou leram este artigo, todos vão dizer:

 Não deu tempo de ler… tô cheio de serviço.

Tá bom…

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