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Sempre admirei jornalistas, menos quando…

Sempre admirei jornalistas. Especialmente os que opinam, comentam, formam juízos. Provavelmente seja pela filiação, não sei. Ouvi-los, saber o que pensam e refletir sobre o que dizem faz um bem danado à gente. Quando concordamos, pois do contrário é um ranço só, e às vezes um soco no estômago.

Ao longo dos anos – e bota longo nisso, a gente até vai tendo surpresas, boas ou más. Não daqueles jornalistas dos quais discordamos, mas dos que gostamos. Não tenho muita certeza, mas acho que o estranhamento, apenas para exemplificar, começou no Jornalismo Esportivo, ao descobrir-se o time do coração deste ou daquele profissional. Com o tempo, cada vez menos se oculta a preferência. Mas, até então, esta admissão servia, quando muito, para fixar estereótipos, tipo Paulo Santana, Kenny Braga e outros. Mas não mais que isto.

Há 35 anos, com o fim do bipartidarismo, as coisas tomaram um rumo diferente e o Jornalismo foi acertado em cheio, como já o era antes de 1964. Durante ela, a maldita, ou se era um, ou era outro. E estes extremos foram abrigando todas as tendências. Hoje, seria difícil imaginar um MDB acolhendo o MR-8. Mas aconteceu. Só que não é disto que quero falar, e, sim, de oscilação, como se fosse um dial de rádio AM de antigamente, onde tu ia de 540 a 1400, acho.

Por que escrevo sobre isto? Porque não entendo como um profissional que estudou ou se fortaleceu para formar e propagar opiniões, muda-as ele próprio. Sei, a culpa é do pluripartidarismo, alguns dirão. Não é não. É culpa do oportunismo de alguns, isto sim.

Ontem, admirava a opinião, a escrita, o texto bem elaborado, a lucidez na análise. Hoje, vejo o cara ou numa tribuna, ou num microfone, ou em frente a uma câmera ou mesmo na coluna do jornal praticamente vociferando xingamentos ou tentando desconstruir outras ideologias. Veja: nem me refiro aqui à onda que transformou grandes jornalistas como caudatários de um presidente que, a despeito de seus feitos, gosta demais da divisão “nós e eles”, tida outrora como uma famigerada missão das gentes mais à esquerda do espectro político.

Durante muito tempo, não gostava de ouvir pessoas dizerem que votavam no candidato, e não no partido. Hoje, seria – e é – natural, tal foi a demonização da política no País. No passado, era sinônimo de alienado e/ou interesseiro. Pois já acho que eles não estavam tão errados assim, porque hoje, mais do que ontem, não há muita moldura a definir uma preferência. Nunca li programa, a não ser o do partido a que um dia fui filiado, mas imagino que, se hoje lesse todos, não conseguiria estabelecer os limites e as identidades próprias de cada um. Tipo “mais do mesmo”.

Transponho agora este cenário para o mote deste comentário alongado: diariamente somos bombardeados de informações, de opiniões, e de opiniões disfarçadas de informações. Ainda assim, jornalista é formador, sim! E muito.

Agora, fala aí: tu dizes o quê de um colorado que virou gremista? Dum luterano que virou umbandista? Dum petista que virou PSL. Os exemplos são exagerados, apenas para ficar no velho bordão de que “futebol, política e religião não se discute”. Hoje, ouço um radialista que é ferrenho bolsonarista, mas que no passado foi militante do PDT , filiado ao PT. Dá pra imaginar tamanha alternância? Hoje, temos um jornalista que é senador, elegeu-se pelo PDT e está no PODEMOS. Tem ainda quem era do PCdoB e hoje está no PP. Nada contra, bem entendido, e com todo respeito às razões que os levaram a isto. 

O que dizer de um candidato a prefeito, que era PT, foi PDT e hoje está no PTB do Bob Jefferson e da Cristina Brasil? (Desculpa… saí do trilho e do Jornalismo). Como entender outro jornalista que, historicamente, esteve ao lado do trabalhismo, hoje estar também na folha de pagamento do gabinete de um deputado do… PSL!

Por favor: antes de descer o malho, entendam… não estou desrespeitando suas opções. Vivemos num País ainda fragilmente democrático. Estou ressaltando como é complicado a gente aderir, ladear, admirar, gostar do profissional que vai de um lado a outro do espectro ideológico, e que influencia, demove e convence outros.

Não confio, não quero ouvir, ler ou ver tamanha falta de convicção. Porque não se trata de opção partidária apenas. Trata-se de visão de mundo.

Iraguassu Farias é diretor Comercial de Coletiva.net.

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