Por Eleno Mendonça
A conta agora é dos institutos de pesquisa. A partir de agora, quem poderá explicar tantas diferenças? Na Bahia, no Rio Grande do Sul, para presidente, apenas para citar alguns exemplos, houve muita discrepância. Ficou a impressão de que ou a metodologia não está adequada ou há boa dose de má fé nos levantamentos. Como dizia Ulisses Guimarães, há alguns institutos que trocam margem de erro por margem de lucro. Eu prefiro acreditar no impacto no último escândalo. Em certos casos, também, uma imagem fala mais alto que mil palavras e desculpas. A pacoteira de reais e dólares impressiona até o mais cético. O certo é que nenhum prognóstico indicava com certeza segundo turno, nenhum indicava que Alckmin teria votação tão expressiva no Sul e Sudeste. A vantagem de Lula no Norte e Nordeste era conhecida e esperada.
A campanha agora entra noutro ritmo, é como uma nova eleição. Vai prevalecer, na minha opinião, duas coisas: primeiro o rumo das apurações do escândalo do dossiê. Sim, há um mês pela frente e o assunto não terá como sair da mídia. Nesse um mês, acredita a oposição, é tempo mais que suficiente para se demonstrar e expor as origens dos recursos, os verdadeiros envolvidos. Tanto porque, ninguém pode supor que um mero assessor tivesse autonomia para tanto. É até provável que o presidente Lula não tivesse conhecido da coisa em si, mas achar que nenhum cacique do PT soubesse é no mínimo ingenuidade. O segundo aspecto serão as propostas. Agora, no chamado mano a mano, Alckmin e Lula terão de mostrar suas propostas de forma mais clara. Como pretender levar ao país ao desenvolvimento e à criação de empregos de forma absolutamente clara e prática. Quem fizer isso melhor pode convencer parte importante do eleitorado.
De antemão, em termos econômicos, vale lembrar que o próximo presidente não vai encontrar situação tão vantajosa. No campo externo há todos os componentes para pipocar uma crise. Há uma expectativa há tempos de que os Estados Unidos promovam um desaquecimento de sua economia, já que há muito estão financiando o crescimento principalmente de países emergentes. Mas nem o poderio dos americanos é capaz de suportar déficits crescentes interno e externo. A partir daí toda a economia deverá enxugar-se, os níveis de desempenho externo do Brasil tenderão a cair e os empresários terão, inevitavelmente de olhar para o mercado interno. Pode estar aí a saída para a criação de empregos e crescimento da economia. O efeito externo também exigirá que todos, governo e iniciativa privada, sejam ainda mais agressivos e ativos no mercado internacional, buscando novos mercados e criando novos produtos.
A imprensa terá essa função importante, como sempre, que é a de mostrar o que fará cada candidato. Cada veículo ao seu modo terá a função de passar aos leitores, ouvintes e telespectadores a coisa o mais mastigada possível, para que se tenha a exata noção das possibilidades de cada proposta e qual grau de satisfação ela poderá proporcionar. Tudo isso também terá de feitos com as propostas sociais. O Brasil, num caso ou noutro, está diante de opções econômicas de linhas semelhantes, o chamado receiturário neoliberal. Resta mostrar os detalhes e quem poderá conduzir isso da melhor forma.

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