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Sobre comunicação, juventude e futuro

Por Leandro Olegário, para Coletiva.net

No primeiro fim de semana do mês, tive a oportunidade de acompanhar a palestra do jornalista Rodrigo Adams, do grupo RBS, em um congresso gaúcho de uma organização juvenil. O desafio dele foi mostrar como habilidades comportamentais aprendidas ou reforçadas, principalmente, durante o período escolar podem trazer como consequência a realização profissional e saúde mental. O que o ambiente corporativo chama de soft skills – Adams chamou de postura. E lembrou que o relacionamento é a chave para a compreensão do mundo, reforçando atributos de empatia. É o equivalente ao que chamamos nas empresas de inteligência interpessoal. 

Outra habilidade destacada foi a de visão sistêmica, que significa ter uma visão abrangente da organização e do seu entorno. Em um mundo competitivo, pautado pelo fetiche da velocidade e pela representação, o tempo para plantar e colher às vezes parece perder o sentido. Sabe qual o efeito disso? Um dos tantos, é a pressão pela escolha profissional. Custe o que custar. 

Com a preocupação permanente com a formação técnica e conteudista, deslocar o horizonte para habilidades comportamentais parece imperativo na tentativa de salvarmos as gerações que adentrarão no mercado de trabalho. Precisamos de ‘novos’ adultos que possam lidar com a frustração de uma derrota e saborear uma vitória. Entendem que a vida é quase uma montanha russa – e que a capacidade de se comunicar, dominando linguagens a partir de muita leitura, faz toda a diferença. De que flexibilidade, resiliência e trabalho em equipe são ingredientes da atmosfera que os esperam no amanhã. Tudo isso deve ser estimulado por quem tem o dever de zelar por eles e de ensiná-los. 

Pude testemunhar os olhares atentos dos quase 800 jovens, com idades entre 12 e 21 anos. Eram integrantes de uma organização chamada Ordem DeMolay, que surgiu em 1919 nos EUA e chegou ao Brasil na década de 1980. Entre os seus princípios estão amor filial, cortesia e companheirismo, que podem ser chamados de virtudes ou de soft skills. 

Leandro Olegário é jornalista, professor e doutor em Comunicação ([email protected])

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