Por Marta Sfredo
Maria Isabel Hammes era – ainda é muito difícil usar o passado – uma combinação única da fortaleza alemã herdada do seu Hugo, que muita gente pôde testemunhar na despedida, segunda-feira, com a doçura cearense da mãe, Lúcia. Desde que a perdemos, muitos lembraram do jeito aparentemente brusco de falar temperado com um sorriso maroto que queria dizer o contrário do significado das palavras. Mais do que Bela, para alguns de nós ela era Belíssima, superlativa em energia, fibra, companheirismo. Só uma coisa era maior do que sua competência profissional: sua ativa solidadariedade como ser humano. Bela cuidava de todos. O jeitão despachado disfarçava um coração tão grande que sempre tinha lugar para mais um. Assim como ela tratava a todos como parte de uma família, agora Carlinhos, Tomás e Felipe, Laís e Isabel, seu Hugo, Clarissa, Gisela e Elisa são parte da nossa.
Não foi possível publicar todas as manifestações de pesar que recebemos, mas ainda cabem agradecimentos e pedidos de desculpas a quem não conseguimos responder. Uma perda como esta embute uma grande sensação de irrealidade – a qualquer momento parece que vai brotar, de algum canto, uma de suas sonoras gargalhadas. Bela deixa conosco seu exemplo. Não descansava enquanto não descobria, checava e publicava informações que ninguém mais tinha. Contava que havia acordado no meio da noite tentando lembrar se o número publicado estava correto. Jornalismo não era só profissão, era boa parte de sua vida. Ciao, Bela. Ou tchüss, como gostarias.

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