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Tem que suar a camiseta

Por Antonio de Oliveira Já tentei uma vez emplacar um comentário sobre futebol neste espaço e quebrei a cara. Como sou teimoso, vou tentar de …

Por Antonio de Oliveira

Já tentei uma vez emplacar um comentário sobre futebol neste espaço e quebrei a cara. Como sou teimoso, vou tentar de novo. Afinal, quero falar sobre um tema que interessa a bem mais da metade do Rio Grande. Se for necessário, posso apresentar minhas credenciais como ex-chefe de reportagem e ex-editor de Esportes, embora saiba que ex é igual a nada. Já foi. Já era.

Desde que foi anunciado o nome de Falcão para treinar o Inter, achei que era o ex (olha ele ai de novo) – craque errado. O nome certo seria o Dunga. É que o Inter não está precisando de um diplomata no vestiário e sim de alguém que exija, claramente, um comportamento profissional do grupo de atletas que está no Beira-Rio. Pelo menos que corra atrás da bola os 90 minutos, como faz o Guiñazu. O Inter tem um plantel que, se “pegar”, ninguém ganha dele.

 O discurso de Falcão é perfeito no que diz respeito ao trabalho que os 11 jogadores devem fazer em campo. Ele tem na cabeça a filosofia de jogo do Rubens Minelli. Quando um jogador adversário estava com a bola, um grupo de três ou quatro avançava sobre ele e tomava-lhe a bola sem dó nem piedade. Era assim. E Falcão é o melhor exemplo de meia que jogava para a frente. Assim como ele fala.

Pois fui ao jogo contra o Ceará e saí logo após o gol do Yarlei. Por uma razão simples. Vi que da maneira como o Inter estava jogando, sem alma, não faria mais nada. A única coisa previsível era que poderia levar mais um. E não levou por sorte. O Falcão quer os meias jogando para a frente, mas o único que faz isto com convicção, e ele deixou no banco, é o Oscar.

Naquela noite de sábado, saí do campo convencido de que o ciclo do D’Alessandro chegou ao fim no Beira-Rio. Perdi a conta de quantas vezes ele ameaçou sassaricar na frente do adversário, com o Inter necessitando de agressividade, e depois recuar a bola. E de quantas vezes carimbou os adversários nas suas tentativas de cruzar a bola.

Como acho que D’Alessandro não desaprendeu a jogar futebol, entendo que ele perdeu o interesse, ou o que ganha aqui já não interessa mais. E todo jogador que não quiser mais suar a camiseta pelo Inter deve ir embora. E como esta não é a primeira vez que vejo ele jogando sem interesse, sem aplicação, para trás, creio que chegou a hora. 

No meu entender, Oscar representa muito melhor o que Falcão quer para o Inter. Sei que vamos perdê-lo brevemente para a Seleção, mas enquanto estiver aqui, tem que ser titular. É o único que pega a bola e vai para cima do adversário, em vez de tocar a bola para o lado ou para trás. 

D’Alessandro tem que descansar no banco, até recuperar a vontade de jogar futebol contra tudo e todos. Acabar com esta história de que só joga bem nos grandes espetáculos. É uma atitude que contamina o grupo, se não for corrigida em tempo. O Inter tem que ter jogadores que entrem em campo sempre para ganhar. Custe o que custar. Seja lá contra o cabeça de bagre que for. Quem não estiver imbuído deste espírito tem que pedir para sair. Ou ser mandado embora.

Confesso que, contra o Ceará, pela primeira vez senti vontade de chegar em casa, entrar na página do Inter e pedir para cancelar minha carteira de sócio. O Inter não foi fundado para jogar assim. Não foi criado para empatar com os reservas do Santos e perder para o Ceará. Tem que suar a camiseta, como se dizia antigamente; se fizer isso, será campeão brasileiro com o plantel que tem. Sobre as gracinhas da zaga, falo outro dia. Se me deixarem. 

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