Por Jayme Copstein Dezembro não é mês de muita originalidade para a imprensa. É quando o não se ter mais o que criar descamba para as cansativas previsões de futuro, convocados, no arrastão, desde cientistas políticos que se levam a sério a pitonisas, especializadas em desmanchar coisas “feitas” pela módica quantia que otário tiver no bolso.
Todos esses profetas são apresentados com currículos fornidos. Um disse com precisão o dia, a hora e até o número de mortos de um desastre de avião. Outro, menos catastrófico – há controvérsias – foi quem anunciou, em mil-novecentos-e-antigamente, que Lula seria presidente da República. Por aí afora.
Na prática, não se conhece sequer uma profecia que tenha se aproximado da ocorrência. Impressionada com as alegações de acertos, a revista norte-americana National Enquirer pesquisou 360 previsões, feitas entre 1976 e 1979, para conferir a verdade. Conclusão: os videntes só acertaram em quatro ocasiões.
Quando a Enquirer tratou de verificar que tipo de previsão tinha dado certo, deparou-se com frases como “político de destaque vai morrer este ano”, “acidente aéreo chocará a Europa” ou “artista de renome será recolhida ao sanatório para se tratar de alcoolismo”.
Ao lado desses supostos acertos, fiascos estrondosos como a previsão de que a atriz Elisabeth Taylor ajudaria a trazer a paz para o Oriente Médio em 1979. E que Miss Universo daquele ano seria esquimó.
Esta foi, sem dúvida, a profecia mais gelada de todos os tempos.
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O Brasil tem um problema negro ou são os negros que têm problemas no Brasil? A indagação é mais importante do que parece à primeira vista. O problema dos negros brasileiros é parte de um crime que se comete não só contra quem tem pele escura. Inclui a população pobre, que não é pequena, mantida de propósito em ignorância e miséria, para permitir o festim dos mensalistas aboletados no poder.
Assim sendo, o projeto bem-intencionado do senador Paulo Paim, já aprovado no Senado e à espera de votação na Câmara Federal, soma equívocos. O projeto, denominado Estatuto da Igualdade Racial, cai em artimanha montada para aplacar as tensões sociais e fingir mudanças que não mudam nada. Consiste na generosidade falseada de privilégios que vão além dos direitos de todos os cidadãos, como, por exemplo, as quotas em universidades.
É uma ilusão achar que um negro diplomado vá deixar de ser negro e discriminado no Brasil. Que testemunhem aqueles excepcionalmente bem-dotados, que conseguiram por seus próprios méritos, furar as barreiras.
No mesmo diapasão, inserem-se outras fraudes, como a de chamar aleijado de deficiente, velho de idoso, criança abandonada de carente.
Quem sabe começamos a falar em educação genuína. Palavras bonitas e hipocrisia não tiram ninguém da ignorância e da miséria por ela gerada.

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