Por Janaína Rolim
Patriotismo. Esta palavra se torna insuficiente quando o desejo é definir o sentimento do povo americano pelo seu país. Se tratando, então, do “Independence day”, fica mais difícil explicar o que sentem os norte-americanos por sua pátria. No dia de hoje ninguém sai para as ruas com suas bandeiras azul, vermelha e branca, porque elas já decoram a terra do Tio Sam, em frente das casas e estabelecimentos comerciais durante os 365 dias do ano.
Neste 4 de julho, as TVs, jornais e revistas abordam a questão mais recente, que foi a guerra no Iraque. A CNN vai apresentar um documentário chamado “War in Iraq: the road to Baghdad” com todos os detalhes do combate e seus “heróis” . Para os americanos, hoje é dia de muita festa e barulho, e este fica por conta dos fogos de artifício. Ontem, era impossível transitar calmamente dentro de uma loja de explosivos, porque parece que todas as pessoas foram para estes estabelecimentos adquirir bombas e foguetes para os festejos do Independence day . Uma infinidade de explosivos foi oferecida à população a um custo não tão acessível, em torno de 80 dólares cada caixa. Mas o povo não economiza: carrinhos de supermercado estavam superlotados com estopins. Sem contar que ninguém mede esforços e filas enormes se formaram em frente dos pontos de venda. Estacionar, então, era uma tarefa muito difícil.
Em uma das lojas que estive, os vendedores vestiam uma camiseta com a estampa da bandeira norte-americana e a frase mais famosa do país desde o “September 11th”: God Bless America. No entanto, enquanto o cidadão americano pede paz através de seus fogos de artificio e frases de efeito, militares estão sendo enviados para a Libéria pelo presidente Bush para mais uma missão. O mais interessante é que Bush também justifica seus atos em nome da paz. Parece que virou moda. Bom falar em paz quando conceitos realmente solidificados estão sendo transmitidos, caso contrário, trata-se da banalização de uma palavra indispensável para o relacionamento das nações.
* Jornalista

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