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TV aberta: fim de carreira

Por Roberto Andrade Quem acompanha de perto a evolução e as inovações que surgem diariamente no ambiente da tecnologia digital já sabe há algum …

Por Roberto Andrade

Quem acompanha de perto a evolução e as inovações que surgem diariamente no ambiente da tecnologia digital já sabe há algum tempo que o modelo de negócio representado pelas tevês abertas no Brasil e no mundo está com suas horas contadas. 

Mas isso dito por Bill Gates – ele deu este aviso em Davos, na Suiça, para os poderosos da economia mundial – ganha outra dimensão. O bilionário dono da Microsoft afirmou para uma platéia silenciosa estar “espantado ao ver que as pessoas não percebem que, daqui a cinco anos, todos vão rir do que temos na TV hoje..” 

Realmente é de espantar a cegueira do mercado em relação a esta transformação que se torna cada vez mais próxima, principalmente aqui no Brasil, onde temos um modelo de televisão construído em cima das grandes redes de sinal aberto e da concentração de verbas publicitárias no universo do broadcast. 

Conteúdos on-line, gerados ou não pelos usuários, operacionalizados e transmitidos via internet, já estão integrando computadores e aparelhos de TV em um único dispositivo, através de recursos tecnológicos diversificados e adequados às exigências mercadológicas de cada região do planeta. 

Entre nós não será diferente, apesar do enorme esforço no sentido contrário que faz quase em desespero o time dos “radiodifusores”, controladores históricos das fatias mais generosas do bolo publicitário. A TV no Brasil caracterizou-se sempre como uma ação entre amigos, quase sem concorrência. E nunca esteve com um conteúdo de qualidade tão ruim no ar como o atual. Ou alguém ainda se arrisca a assistir TV aberta domingo à tarde, por exemplo? 

Mas tudo está mudando, muito mais rápido do que os broadcasters poderiam imaginar. As conexões à internet em alta velocidade vão explodir através de pesados investimentos das empresas de telefonia, que já deixaram claro sua intenção de entrar no lucrativo mercado de TV. A capacidade de banda para tráfego de áudio e vídeo é a principal exigência para se consolidar a IPTV, ou TV através de protocolo IP (internet protocol). 

Há, inclusive, uma clara disposição do governo brasileiro e dinheiro já disponível no BNDES para apoiar empreendedores que queiram desenvolver projetos envolvendo novos recursos tecnológicos e novas bases de produção de conteúdos, tudo voltado à sedimentação do mercado de IPTV que vem por aí. 

Agora que Bill Gates avisou, talvez os conservadores executivos das redes de TV no Brasil abram os olhos e comecem a compreender que não há como impedir a evolução e muito menos a inovação.

Mantendo-se no radicalismo mercadológico em que se encontram, perderão o bonde da história, sob risco de serem engolidos por novas empresas dirigidas por jovens mais novos que seus próprios filhos. Como diria a garotada: “Se liga aí tio, a fila está andando! 

(O texto foi publicado originalmente no blog Mosca Digital.)

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