Por Flávio Dutra O contraponto do Alexandre Fonseca ao artigo em que dei conta da minha indignação com a atual situação da TVE e da FM Cultura já provocou o primeiro resultado a que eu me propus: ampliar a discussão sobre a questão, de preferência sem o viés político-partidário insinuado pelo dedicado servidor. Diferente do que imagina o Fonseca, não estou a serviço de nenhuma corrente, mas decidi me expor pelo que representaram a TVE e a FM Cultura em alguns momentos da minha trajetória profissional. Acho mesmo que o companheiro Fonseca inverteu os papéis – o artigo dele é que me parece impregnado de conteúdos políticos-partidários.
Vai mais longe o Fonseca: além de interpretar equivocadamente minhas opiniões, cobra uma influência nos círculos do poder que eu não tenho e nunca almejei. Se tivesse lido atentamente o meu artigo, constataria que a principal insatisfação é com o atual governo do Rio Grande do Sul, que prolonga a agonia da TVE. Talvez não tenha agido de má fé, apenas foi desatento.
Reafirmo que sou simpático à idéia das Oscips, mas não sou apaixonado, ao contrário do Fonseca em relação à TV Brasil, esta sim uma sangria de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. A minha preocupação é com a sobrevivência da TVE e da FM, se for como Oscip que seja bem feita, embora tenha informações de que o governo já descartou essa alternativa, para tranqüilidade do Fonseca. Ficaria eu menos preocupado se o Fonseca me passasse a idéia de que está mais comprometido com o futuro da Fundação do que com o atrelamento à TV Brasil.
Parece não ser essa a disposição do aplicado Fonseca, que se empenhou em pesquisa para provar os malefícios da transformação da Rede Minas
O Conselho Deliberativo da Fundação Piratini também deve ter suas restrições à TV Brasil. O Fonseca é o representante dos funcionários no órgão, por isso sabe que o Conselho adotou uma posição de cautela diante da pressão dos representantes da TV Brasil para apressar o atrelamento, perdão, a afiliação. Seria importante que as razões desse posicionamento viessem a público. Suspeito que seja porque a TV Brasil ainda não disse a que veio.
Na verdade, acabei caindo na armadilha proposta pelo Fonseca, que estabeleceu um falso dilema Oscip x TV Brasil, TV do Aécio x TV do Lula – que, aliás, estão bem afinados -, quando o foco do debate deveria ser a TVE em primeiro lugar. Assim, ainda estou esperando a contribuição do Fonseca neste sentido, o que certamente virá depois das exaustivas discussões internas que está promovendo. Aos ex-dirigentes da Fundação, peço que dispensem o conselho do Fonseca e não se calem em defesa da TVE e da FM Cultura.
Por fim, fico lisonjeado pela declarada simpatia do Fonseca a minha pessoa. Acredito na sinceridade da manifestação, na certeza de que a mesma sinceridade está presente nos propósitos do companheiro em relação ao futuro da Fundação.

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