Quando lançamos o ColetivaTech há um ano, nosso propósito era claro: documentar uma transformação profunda e irreversível no ecossistema de comunicação. O marketing, focado historicamente no apelo das grandes campanhas e na compra de espaço publicitário tradicional, passou a vivenciar uma redistribuição direta de seus orçamentos.
Ao longo dos últimos doze meses, acompanhamos semanalmente a migração desses investimentos para as tecnologias de apoio, mostrando que a grande questão do setor deixou de ser apenas onde anunciar para se concentrar em como construir infraestrutura. Ao olhar para trás, fica nítido que o mercado não está apenas adotando novas ferramentas, mas sendo inteiramente reconfigurado por elas.
Nesta trajetória, nossas análises se concentraram nos pilares que formam a nova espinha dorsal do marketing:
- A Era do Dado Próprio (First-Party Data): com o fim dos cookies de terceiros e a consolidação da LGPD, o CRM deixou de ser um simples disparador de e-mails para se tornar o ativo mais valioso das marcas.
- Inteligência Artificial Operacional: indo além do deslumbre inicial com a tecnologia generativa, mostramos como a IA passou a automatizar a personalização de jornadas, a otimização de mídias em tempo real e a análise preditiva de comportamento.
- AdTechs e MarTechs no Centro da Estratégia: atingir o público certo tornou-se um exercício de engenharia de dados, colocando as plataformas integradas no centro dos planejamentos anuais.
- Mensuração e Atribuição: a busca por retorno financeiro claro fez as empresas investirem em inteligência de dados e analytics, substituindo antigas métricas de vaidade por eficiência comprovada.
A razão para a relevância desse debate é direta: o dinheiro mudou de endereço. Se no passado a maior fatia do orçamento de comunicação era destinada exclusivamente à criação e veiculação de mídia, hoje uma parcela substancial é direcionada para licenças de software, arquitetura de dados e capacitação técnica.
A publicidade continua cumprindo o seu papel de atração, mas a tecnologia de apoio tornou-se a estrutura fundamental que garante a eficiência da operação e a conversão em vendas. Cobrir esse movimento é compreender o novo modelo de negócios da comunicação, no qual anunciantes sem dados estruturados perdem eficiência e agências sem domínio técnico perdem competitividade.
Olhar para esse primeiro ano traz orgulho do caminho percorrido, mas o foco permanece no que vem a seguir. A convergência entre tecnologia e comunicação está longe de terminar, e os próximos passos exigirão atenção à maturidade das decisões guiadas por algoritmos, ao crescimento dos ecossistemas de retail media e à busca por um marketing automatizado que preserve a ética no uso das informações.
O ColetivaTech nasceu para ser um ponto de referência e orientação para o mercado no meio de tantas transformações. Agradecemos a cada leitor, fonte e parceiro que esteve conosco nesses primeiros 365 dias, com a certeza de que continuaremos aqui, semana a semana, traduzindo os rumos desse novo mercado.
Fabio Rios é diretor de Marketing da Brivia.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial