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Um minuto de reflexão

Por Paulo Trindade, para Coletiva.net

Conversando com uma amiga do mercado publicitário que foi minha colega de faculdade, começamos a falar sobre a nossa propaganda. Eu apenas estudava naquela época e ela já trabalhava no mercado. Linda, elegante e um charme quando fumava. Ela é da área criativa, trabalhou em agências como MPM, Escala, Young e lá vão-se grandes marcas e grandes agências mais. Relembramos a época de faculdade. Aquela Unisinos nos idos de 1980 e poucos… nossos ídolos e o grande mestre Nizan Guanaes. 

Quanta gente boa passou por este mercado publicitário gaúcho! Uma época em que os criativos, literalmente, mandavam no “campinho”. Eram estrelas! Quase celebridades desta atividade tão glamourosa. Uma época em que os planejamentos eram mais que anuais. Uma época romântica quando falávamos de marca e a criatividade. Uma época em que um comercial enchia os caixas do varejo.

Poucas pessoas sabem ou se lembram que, por exemplo, a cidade de Caxias do Sul foi um grande polo da propaganda nacional. Profissionais criativos de Porto Alegre e São Paulo passeavam pela Avenida Júlio de Castilhos nos idos de 1980… Me veio à mente agora…

A indústria da propaganda mudou. Em algum momento, o modelo de negócio se transformou e abdicou da criatividade e preferiu ganhar 20% dos veículos de comunicação, fornecedores gráficos e eletrônicos. Um dinheiro fácil, mas que ajudou a afundar a parte cerebral da propaganda que era a estratégia e a criatividade. Não tem certo ou errado. É somente uma constatação. Mas hoje o mercado publicitário mundial e aqui na terrinha pagamos por isso. 

O mercado encolheu, a publicidade mudou, vários novos canais e plataformas surgiram e nós, publicitários como um todo, vivemos essa transformação que parece nos levar ao caos. Este fenômeno jogou milhares de profissionais para fora deste negócio. Veio a juniorização e ela foi cruel, pois nas áreas estratégicas das agências de propaganda não existiam referências. As crianças tiveram que aprender sozinhas. Nos veículos de comunicação e fornecedores a busca pelas metas cegaram os líderes e estes ajudaram a chegar a esta encruzilhada.

No ano passado eu estava muito “puto” com o nosso mercado! Queria sair! Não aguentava ver tantas pessoas sendo despejadas do nosso segmento. Achava que tudo era uma grande injustiça. Depois percebi que muita gente que foi colocada de lado não se atualizou. Muitos velhinhos como eu apenas reclamavam, mas não tinham uma proposta para mudar a situação. Quando me dei conta, percebi que aquele mercado publicitário que parecia virar as costas pra nós necessitava urgentemente de nós. Sim! Nós! Os velhos! Refleti rapidamente e percebi que tudo que eu havia conquistado foi graças a essa atividade. Que tudo que tenho e sou apaixonado veio da propaganda. Não era hora de virar as costas pra publicidade, mas sim de ficar e tentar mudar o meu negócio… o meu mercado… aquilo que eu amo fazer!

Sendo assim, quem puder ter a mesma gratidão que carrego no coração agora, vamos olhar pro nosso negócio e ver como podemos melhorar e achar um modelo que valorize a estratégia, a criatividade, o atendimento, o planejamento e, sempre, o resultado. Vamos estender a mão a quem realmente precisa de ajuda… A propaganda gaúcha.  

 

Paulo Trindade é diretor A Solução Negócio e Comunicação.

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