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Um rasgo de sinceridade

Por Antonio de Oliveira Bah! Desta vez a coisa ficou bem mais confusa. Não entendi mais nada. Pelo menos na aparência. Confesso que estive …

Por Antonio de Oliveira

Bah! Desta vez a coisa ficou bem mais confusa. Não entendi mais nada. Pelo menos na aparência. Confesso que estive uma vez com o professor Claudio Lembo e, por mais incrível que pareça a qualquer pessoa, a impressão que tive dele foi a de que tinha uns rasgos de compreensão da vida, da história, das diferenças sociais do Brasil, e até mesmo de bondade, atrás daquelas sobrancelhas. Mas nunca levei isto a sério, pois quando estive com o ex-vice-presidente Marco Maciel também saí com a mesma impressão. Enganosa, claro.

Mas, mesmo assim, eu não esperaria nunca saindo daquela boca frases como “só a verdade vai construir este País”, “nós temos uma burguesia muito má”, “a casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada”, “o cinismo nacional mata o Brasil”, “a bolsa da burguesia terá de ser aberta para sustentar a miséria”, “se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não iremos a lugar algum”, “eu acho
que o presidente Fernando Henrique poderia ficar silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de São Paulo” e “o presidente Lula falou muito comigo, foi solidário e elegante”.

Passo a imaginar como ficaram seus parceiros. Boquiabertos. O senador catarinense de nome estranho que gravou em bronze aquela maravilhosa frase
“vamos acabar com esta raça por uns 30 anos”, a situação confusa em que fica o nosso Príncipe novaiorquino, todos da sua convivência quase diária.
E o candidato deles, que nem telefonou para o professor até agora? Largou a bomba na mão dele e se mandou. O homem até autorizou que ele poderia
ligar a cobrar.

A burguesia sabe disto tudo que o professor Lembo falou, mas se arrepia, tem chiliques só em pensar. Falar, admitir, nunca. Jamais. São estes que estão aplaudindo a matança em massa que está acontecendo em São Paulo. O professor Lembo teve um rasgo de consciência, de sinceridade. Deverá ser execrado daqui para a frente, pois põe em risco até a candidatura de José Serra em São Paulo com suas frases que apenas constatam o que as elites vêm fazendo neste País por mais de 500 anos. Desde a invasão portuguesa. A
turma que defende o povo pobre armado – para ir se matando uns aos outros -, e a pena de morte.

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