Por Mário Rocha
Rica da criaturinha: vai pra balada, não fica com ninguém, enche a cara e depois sai guinchando pneus à procura de aventuras nas ruas e estradas. Então, bate e morre. Ou, pior ainda, mata alguém. Espalha pelo asfalto ou chão batido os pedacinhos e os pedações de corpos ensopados de sangue quente.
Beleza de caminhoneiro: toma tudo quanto é rebite e enfrenta quilômetros e mais quilômetros de estrada sem parar pra descansar. Os olhos nem piscam mais. Arregaladões. Quando bate o sono, nem bola. De repente, um vacilo e pimba! Tá lá o patrimônio jogado fora da estrada. Tá lá desmanchado o carro ou ônibus que vinha na mão certa, na velocidade certa, e foi colhido de frente e de surpresa.
Primor de arrogânciaI: nem entrou na autoescola ou fez só a aula de sinais e já vai para o meio do trânsito, pois basta ligar o motor, engrenar a marcha, gritar “Sai da frente!”e pronto. Os outros que se cuidem. Se bater, o prejuízo é de quem emprestou o carro. Carteira de motorista e direção defensiva é coisa de babaca, não é?
Flor de audácia: ziguezagueando entre os carros, cortando a frente de uns, freando no último décimo de segundo para não bater em outros, a adrenalina subindo das duas rodas moto acima até entrar no capacete e explodir no vazio onde deveria estar o cérebro. Onde deveria estar pelo menos um pouco de cérebro!
Primor de arrogância II: a idade avançou, os reflexos ficaram para trás. Passar no último exame de visão estava difícil, muito difícil, tão difícil que foi preciso… Bom, deixa pra lá. Parar de dirigir? Nem pensar! Seria o reconhecimento público da velhice mais a perda de autonomia no ir e vir. O orgulho vence a prudência. Aí, quando dá merda, resta chorar o leite derramado. Menos mal se o vovô ou a vovó, tão queridinhos, não carregarem os seus netinhos para o fundo da própria cova.
Grana pra ostentar: o carrão precisa ser grandão e veloz. Se não fosse grandão e veloz, não seria um carrão falando assim: “Olha aí como estou bem de vida, como tenho poder e dinheiro! Multa por excesso de velocidade? Eu pago! Pontos excedentes?Jogo na carteira de outro! Carteira cassada? Não entrego e sigo dirigindo assim mesmo! Aliás, você sabe com quem está falando?”
São Cristóvão, santo padroeiro dos motoristas! Ilumina os maluquinhos e as maluquinhas do volante neste 25 de julho e em todos os outros dias do ano. Se quiserem continuar no escuro, recebe logo este pessoal aí em cima. Mas que não sofram nos acidentes que causarem e não causem sofrimento em ninguém. Afasta-os do meu caminho e do caminho das pessoas que são importantes para mim. Amém.

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