Por Edison Rodrigues Filho Logo de início senti que organizar um livro como o Anedotário do Rádio Brasileiro — reunindo experiências de pessoas tão queridas e respeitadas de todo o país — mudaria a minha vida. Somente pessoas especiais aceitariam compartilhar com o público leitor seus melhores (e piores) momentos de forma tão generosa. Entretanto, não imaginava que, ao capturar e registrar as histórias por meio de breves contatos e encontros fugazes — em meio à atribulação dos profissionais em atividade ou interrompendo o descanso merecido dos profissionais —, alguns deles tocariam minha alma tão intensa e profundamente.
Lupi Martins era um dos poucos colaboradores que eu ainda não conhecia pessoalmente. Fui apresentado a ele na semana do lançamento do livro por Clóvis Rezende, outro amigo e colaborador. Ficamos lá no Clube do Comércio, na Avenida Bastian, conversando por horas. Eu, excitado pelo lançamento do livro, falei de mim, um gaúcho radicado em São Paulo há mais de 20 anos, e de meus projetos, enquanto Lupi mais ouvia do que falava. De pronto ele se colocou à disposição para o que eu precisasse, disse que falaria com colegas jornalistas em várias emissoras e que o irmão dele, Lasier Martins, outro grande colaborador do Anedotário, também daria uma força na divulgação.
Em princípio achei que era apenas cortesia, que teria de me virar e conseguir espaço na mídia. Mas não foi assim. Meia hora antes de eu entrar no estúdio da Rádio Gaúcha, onde daria uma entrevista ao vivo, lá estava o Lupi, me pedindo cópias do release para distribuir aos amigos e ex-colegas de outras redações, para ele o livro merecia todo o espaço possível. Enquanto isso, Lasier Martins lia, ao vivo, a história Vôo para dentro, uma das contribuições de Lupi narrando o incidente aéreo no qual quase morreu — uma homenagem entre irmãos, improvisada, mas tocante.
Não se tratava apenas de cortesia, diante de mim estava um profissional cheio de energia, disposto a trabalhar por um projeto como o do Anedotário, que se vale apenas da paixão dos amantes do Rádio ao resgatar e preservar a memória por meio do registro das vivências de seus profissionais.
Na tarde do lançamento, em 25 de setembro último, Dia do Rádio, Lupi estava lá me prestigiando com sua presença. Assim como outros radialistas — Antônio Augusto, Clóvis Rezende e Jayme Copstein —, mas não coincidiu de eles se encontrarem, assim, pude ter a atenção de cada um deles. Eu e Lupi nos sentamos na beirada do palco do StudioClio, ficamos conversando por um longo tempo, desta vez foi ele quem falou mais. Foi aí que eu soube de suas atividades voltadas ao hipismo, da quantidade de gente do interior que o procurava para conseguir alguma ajuda — no atendimento na Santa Casa, ou guris bons de bola que vinham fazer teste no Grêmio ou no Internacional, sem recursos para se manter —, de como ele precisava arranjar uma forma de ajudar essas pessoas sem comprometer seu trabalho, suas finanças e sua saúde.
Deus deve ter ouvido nossa conversa. A mim foi concedida a oportunidade de conhecer um ser humano pleno. Ao projeto do Anedotário do Rádio Brasileiro, a possibilidade de perpetuar e compartilhar com os amantes do Rádio as histórias de uma pessoa desse naipe. Ao Lupi, Deus certamente tem reservado um papel de importância ainda maior e um lugar especial de onde poderá espalhar seu espírito humanitário e inspirar todos nós a seguirmos seu exemplo de vida.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial