1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Eu sou a Ana. Nasci em Porto Alegre, pago as contas lecionando inglês, mas gosto mesmo é de escrever.
2. Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Eu não tinha uma ideia específica quando decidi concorrer à Bolsa Funarte. No projeto, tentei explicitar de forma mais ou menos coerente os temas e o estilo do que eu havia escrito até então. Notei que a noção de “vazio” era algo recorrente nos textos. Esse foi o mote inicial. Depois de várias exclusões, substituições e modificações, a infância e a velhice acabaram se destacando como temas principais.
3. Qual o seu objetivo ao lançar a obra?
Vou citar o Baudelaire. Já há alguns anos que a Aline Daka (ilustradora do livro) e eu buscamos criar, com nossas duas tristezas, uma felicidadezinha. O livro é resultado dessa busca. Se lançá-lo tem algum objetivo, é compartilhar essa felicidadezinha.
O universo de ‘O que faltava ao peixe’ é anacrônico. Não sei se os temas que valorizamos interessam a muita gente, se nosso modo de escrever e desenhar ainda tem algum espaço.
4. Antes mesmo do lançamento, foste agraciada com duas premiações. A que atribui o feito?
À consistência dos projetos. A Bolsa Funarte incentivou a produção dos textos, com base na proposta apresentada e em narrativas escritas anteriormente. Dois anos depois, o Fumproarte financiou a publicação da obra.
5. Como você se imagina daqui a cinco anos?
Acho que é mais um desejo do que uma possibilidade: com muita paz para escrever, numa casa de campo, à la Hilda Hilst ― mas com menos cães.


