Cinco Perguntas

Cinco perguntas para César Steffen

Professor de Jornalismo e Publicidade apresentou tese em congresso internacional

1. Quem é você, de onde veio e o que faz?

Gaúcho, orgulhoso do meu Rio Grande. Publicitário de formação e coração. Colorado sem fanatismo, comunicador de alma, jeito e ação. Inquieto por natureza, do tipo que sempre quer saber mais sobre algo – tudo, na verdade – e não aceita nada posto sem questionar. Professor, pesquisador e consultor por gosto e vocação.

2. Qual o motivo da escolha do tema ‘Midiocracia e Tecnologia’ para suas pesquisas?

Vamos por partes. Tecnologia é meu percurso profissional desde a graduação, como desenvolvedor e consultor, e foi o pano de fundo de minha pesquisa de mestrado, quando investiguei a campanha presidencial de 2002 via Internet. Dessa pesquisa, surgiu um “incômodo”, ao notar que os sites replicavam formatos e lógicas dos grandes portais informativos. Ou seja, mesmo com toda a liberdade de formatos e agendamento, os candidatos buscavam se equiparar, ser iguais aos players de mídia. Somando os canais próprios de campos não naturalmente midiáticos, como o político e o jurídico via cabo, noto que certos formatos midiáticos se impõem enquanto elemento de contato social. Pude observar o mesmo fenômeno nas campanhas de 2006 e a de 2010, esta mais especificamente acompanhando o Twitter.

Se considerarmos redes sociais como mídia – o que, particularmente, resisto um pouco – vemos que as relações se dão cada vez mais por via tecnológica, com formatos e lógicas oriundas de um campo que se faz cada vez mais onipresente. Thompson falava da mídia como o quarto poder, mas eu penso que, no atual estado da sociedade, a mídia é o primeiro poder, pois todas as áreas, setores e campos da sociedade, em maior ou menor grau, são obrigados a se midiatizar para buscar efeitos sociais, usando das linguagens e tecnologias da mídia.

Neste ponto reside o cerne de meu pensamento sobre “midiocracia”, minha tese de doutoramento, que tive o prazer de publicar em livro ano passado.

3. O que mais lhe dá prazer na vida acadêmica?

Pesquisar, acima de tudo, gerando conhecimento e observando novos fenômenos. E transportar isso para a sala de aula e minhas atividades, provocando os estudantes e profissionais a olhar os fenômenos além de superficialidade. Nada é mais interessante e prazeroso – e necessário, penso eu – do que ver as “fichas caindo” diante de um debate mais profundo sobre temas como comunicação ou tecnologia.

4. O que todo professor de Comunicação precisa saber?

Como diria Tim Maia, “tudo que sei é que nada sei” é uma postura indispensável. E isso vale para qualquer profissional que trabalhe com comunicação. Aprender a aprender, e saber que o que aprendemos hoje pode ser peça de museu amanhã.

Se olharmos 10 anos atrás, veremos que smartphones e tablets eram peças de ficção e hoje estão no dia a dia, trazendo mudanças e novos formatos todos os dias. Some Google, Orkut, Twitter, Facebook, TV Digital, tudo que passou e tudo mais o que está em pesquisa e desenvolvimento e é promessa para os próximos anos, e veremos que as formas e os formatos da comunicação social estão mudando muito rápido, e novos paradigmas, novos olhares são necessários.

Ou seja, quem não souber aprender com o que está acontecendo agora, e no porvir, corre o risco de ficar ultrapassado. Não digo que o que temos hoje seja supérfluo ou antiquado, desnecessário. Pelo contrário, precisamos cada vez mais entender os antigos e atuais paradigmas, para que possamos construir novos com solidez e clareza.

5. Quais são os planos para os próximos cinco anos?

Continuar aprendendo.

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