1) Quem é você, de onde veio e o que faz?
Meu nome é João Carlos Camargo Ferrer, mas uso só João Ferrer, que é mais simples e comum. Nasci em São Gabriel um pouco após o golpe militar, em 64. Muito menino, fui morar em Bagé, de onde trago minhas referências mais marcantes. Iniciei meus estudos de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria, em 1983, mas como era militante político conclui o curso apenas em 1994, 11 anos depois, na Ufrgs. Por conta disso, tenho colegas de universidade de várias gerações, uma vantagem comparativa para minha atividade atual. Desde o início de 2003, coordeno a comunicação da bancada do PT na Assembléia Legislativa. No ano que passou, licenciei-me e coordenei a comunicação da campanha do candidato Tarso Genro a governador. Agora, estou de volta à Assembleia.
2) Quais são seus planos ao assumir este cargo?
A assessoria do PT na Assembleia tem um histórico de competência, profissionalismo e dedicação. Meu objetivo fundamental é manter esse perfil e melhorar no que for possível. É a segunda vez que atuamos na Assembleia como governo, mas apenas a primeira que atuamos como maioria parlamentar. Isso nos agrega uma responsabilidade política diferente e impõe desafios maiores. Agora, temos que cuidar das iniciativas dos parlamentares, mas também dar sustentação às iniciativas do Executivo. É um trabalho mais difícil, mas os resultados podem ser mais objetivos e realizadores.
3) Por que escolheu atuar com política?
Foi um caminho natural em consequência de meu ativismo político, que iniciou muito cedo. Com 16 anos eu já era filiado ao PT. Por isso, quando me formei não havia muito espaço para mim no mercado. Os colegas que se formaram comigo foram quase todos incorporados aos quadros profissionais das empresas de comunicação, mas eu tive dificuldades nisso. Cheguei a apresentar meu currículo na Zero Hora e no Correio do Povo, mas só consegui ter uma experiência em redação a partir de um convite do Hélio Gama. Ele me levou para o Jornal do Comércio por um período, quando combinei o trabalho de sub-editor de Economia com meu mestrado em política na Ufrgs. Lá trabalhei com uma jornalista muito competente, a Gládis Berlatto, com quem aprendi muito de redação e edição em jornal. Acho que demonstrei que é possível fazer jornalismo com profissionalismo tendo convicções políticas.
4) Que tipo de experiência do Jornalismo pode ser aplicada à Política?
Para mim, Jornalismo e Política são duas atividades que deveriam ser comprometidas com o esclarecimento, no sentido kantiano de conhecimento e autonomia crítica. Mas isso é só uma tese que aprendi com o Adelmo Genro, que era jornalista e político, mas cuja atividade principal era a reflexão teórica. Minhas experiências, tanto em Jornalismo quanto em Política, têm demonstrado que a vida real é um pouco diferente. Felizmente, tive oportunidade de trabalhar perto de jornalistas e políticos que compartilham desse entendimento. Fui assessor do Fortunati, do Marcos Rolim e do Tarso Genro, três figuras que honram a atividade política. Trabalhei também com Pedro Osório e com o Hélio Gama, jornalistas diferentes, mas comprometidos com a ideia da autonomia e da crítica.
5) O que todo coordenador de bancada deve saber?
Além de conhecer o regimento interno da Casa, ter uma visão geral das constituições Estadual e Federal, o bom coordenador tem que saber tolerar e também a hora de falar e a hora de calar.


