1 – Quem é você, o que faz e de onde vem?
José Henrique Westphalen, mestre em comunicação, empresário, professor e apaixonado por Harley Davidson. Nasci em Cruz Alta, onde passei toda minha infância. Meus pais se divorciaram quando eu tinha apenas um ano de idade. Por conta disso e da origem da minha família estar no Paraná, sempre circulei entre a minha cidade natal, Porto Alegre e Curitiba. Acredito que essa quilometragem me permitiu não criar raízes, ser apegado com lugares e coisas. Além disso, me proporcionou uma capacidade de adaptação e flexibilidade muito grande. Conforme os “mais velhos”, desde pequeno sempre tive facilidade para relacionamentos e comunicação. Talvez fruto dessa combinação, sempre flertei com a área da comunicação.
2 – O que o levou a escolher a área da Comunicação?
Não escolhi, ela me escolheu. Embora tenha feito faculdade de Ciência Política, por influência do meu avô, o qual me inspira muito, sempre trabalhei com comunicação e marketing. Passei pela coordenação de Imprensa do PP na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e trabalhei em diversas campanhas, atuando no marketing e com pesquisas. Minha primeira empresa foi de consultoria política e pesquisa de opinião, a Imagem Pública. Trabalhei com gestão de imagem junto à Barrionuevo Gestão de Imagem e fui o primeiro funcionário do escritório! A vida foi me encaminhando para a comunicação e eu fui aproveitando, me especializando na área, como em Planejamento Criativo na ESPM e o mestrado em Comunicação na PUC, fora dezenas de cursos na área. Já fiz curso de escrita, photoshop, HTML, etc. Sempre fui curioso e busquei conhecimentos que complementassem minhas deficiências.
3 – Quais são os principais desafios que o profissional da área enfrenta atualmente?
Meus desafios são muito claros. Melhorar meu desempenho como gestor de Negócios e terminar a reestruturação da agência. Como citei anteriormente, mudança sempre fez parte da minha rotina, e com a empresa não foi diferente. Hoje, estou reposicionando a minha carreira e a empresa para atuar com brand content e inbound marketing, área que venho estudando há mais de um ano e desenvolvendo projetos.
Acredito que todo profissional do mercado deve se reinventar. Os desafios são múltiplos, e não falo sobre digital apenas. Para mim, o digital é, e sempre será, um canal e comunicação sempre foi feita através de canais. O que o profissional precisa é correr atrás de conhecimento, porém, não só ferramentas e técnicas, mas, sim, aprender a pensar essa nova sociedade, integrada e com uma voz ativa do consumidor, em que causas e o foco no DNA da marca, da sua essência terão eco nesse consumidor. O desafio é entender que o ciclo da Publicidade e Propaganda como conhecemos acabou, o capitalismo como conhecemos e as relações de consumo acabaram. O mundo está em ebulição, estamos no epicentro do furacão, onde é a zona calma, mas no entorno, que não estamos olhando, há um mundo devastado. O profissional precisa tirar o antolho dos seus olhos e enxergar além.
4 – Como surgiu a Penso Ideias?
Em 2007, minha sócia Caroline Batista, que hoje atua como coach de Liderança Integral e autoconhecimento (brinco que ela é presidente do Conselho), fundou a agência com um viés estratégico, com um forte olhar para planejamento e comportamento do consumidor. Quando entrei no final de 2008, seguimos com essa régua, passamos alguns desvios até entender esse novo cenário, no entanto, sempre com os pés no chão, o que nos possibilitou atender ao Governo do Equador, Rede Dia de Supermercados, Bartzen, Ecco Salva, Grupo Krause e tantos outros players importantes. No final do ano passado, retomamos nossa essência em estratégia e de planejamento com toda força e estamos reformulando a Penso, olhando para conteúdo de marca, inbound marketing, ou seja, automação do fluxo de vendas, onde todas nossas ações convergem para resultado. Resultados mensuráveis e escaláveis. A comunicação precisa entregar conteúdo relevante e verdadeiro, mas precisa entregar vendas, entregar resultados que possam ser medidos. É o branding na essência, servindo de apoio para marketing e vendas.
5 – O mercado está em constante transformação. Como acompanhar todas essas mudanças?
Uma das questões que bato muito em sala de aula, no MBA em Negócios Digitais da Uniritter, é que não adianta olharmos para ferramentas e fórmulas. Em um mundo em constante transformação, é preciso acompanhar o todo, entender as pessoas, a sociedade, seus hábitos e comportamentos. Olhando para o todo, consegue-se estar atualizado. Quem se fechar na ferramenta, na rede, na plataforma, está fechando os negócios e suas perspectivas para algo que amanhã não existirá. Não existirá um novo Facebook, existirão, sim, novas plataformas e novos canais onde pessoas expressarão suas ideias e desejos. Cabe a nós, profissionais da comunicação, conhecer e entender esses caminhos.

