1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Aos 28 anos, sou canoense de nascimento e ainda residente nesta cidade onde cresci escutando os roncos dos aviões de combate da Base Aérea de Canoas. Fascinado pelas leituras sobre história militar feitas pelo meu pai durante minha infância e pelos filmes de guerra que sempre gostei de assistir, acabei criando certa paixão por assuntos relacionados à área militar, talvez pelo fato das diversas emoções que estão envolvidas com este tipo de assunto. Ainda lembro que sonhava em participar de uma operação militar, não como combatente, mas como testemunha ocular e contador de histórias. Queria contar o que acontecia na guerra. Foi aí que decidi me especializar no assunto e comecei a trabalhar antes mesmo de iniciar Jornalismo na Unisinos.
Após 10 anos do primeiro trabalho na área, consegui conquistar meu espaço, estando presente em diversas operações militares no Brasil e exterior, me aprofundando em questões que, muitas vezes, não são percebidas pelos outros colegas. Minhas reportagens especiais são geralmente na condição de incorporado à tropa (embedded) e escritas em estilo literário, de forma a transportar meu leitor àquela situação vivida por mim, sempre com precisão técnica, detalhes da ação e uma análise do contexto geopolítico, pois assuntos militares estão intimamente relacionados a isso.
Procurei me especializar mais, realizando em Washington duas pós-graduações na área de terrorismo internacional e contrainsurgência. Atualmente, tenho trabalhado somente em projetos especiais produzidos in loco como repórter especial da Revista Tecnologia & Defesa e como colaborador para outras três publicações da Europa e dos Estados Unidos.
2. Qual o diferencial em cobrir eventos militares?
A complexidade destas coberturas, que às vezes para um único artigo acabam necessitando de um profundo conhecimento de política internacional, tecnologia militar, geografia e história, penso que fazem o grande diferencial para quem escreve. Por trás de cada operação militar, seja ela real ou simulada, existe um motivo, o qual não está explícito, e entender o que se passa nos bastidores é o mais difícil.
Criar fontes de alto nível nas Forças Armadas e no Governo é essencial e demora anos para se conseguir. Ademais, um especialista em assuntos militares não pode errar. Desde a Invasão do Iraque, em 2003, tenho observado alguns colegas e outros profissionais se aventurando neste terreno – minado – e comentando as operações, cometendo uma série de erros técnicos, históricos e de geografia, enxergando na tela o que não aparece, e possuindo uma postura como se fossem uns generais em meio ao campo de batalha, e entendo que isso é um grande erro. Assim como temos economistas, comentaristas de esportes, automobilismo, deveríamos ter especialistas em Defesa, profissionais que realmente entendessem do assunto, estando capacitados para comentá-lo, como qualquer jornal da Europa ou EUA tem. Infelizmente, também temos muitos poucos profissionais no Brasil com este know how.
O assunto chama o interesse público. A presença brasileira em missões de paz, o investimento pesado que o País vem fazendo em equipamentos militares e a reorganização das Forças Armadas, preparando elas para defender os interesses do Brasil no século 21, são sinais de que o tema vem ganhando espaço importante, e ter profissionais que entendam dele é essencial para os veículos de comunicação.
3. O que mais te dá prazer na profissão?
O jornalismo militar me deu a oportunidade – trabalhando – de realizar todos os meus sonhos de infância. Algumas coberturas – como voar em um caça F-16 durante uma missão simulada de ataque no deserto – me transportaram às telas do cinema. As emoções envolvidas na produção fazem de cada trabalho uma experiência única e inesquecível. As viagens constantes também são uma fonte de prazer. Quando menos se espera, aparece alguma cobertura para um lugar diferente. Além destas coisas, o reconhecimento por se fazer algo perigoso, difícil de conseguir e que poucas pessoas fazem, é algo que, mais do que profissionalmente, te valoriza como pessoa.
4. Qual foi a matéria mais marcante na sua carreira?
Já realizei várias coberturas que me marcaram, mas eu destaco as reportagens que voei em modernos caças de combate a partir de bases da Força Aérea da Suécia nas regiões do Círculo Polar Ártico e do Báltico, e a cobertura que fiz da Operação Naval Joint Warrior, da Marinha do Reino Unido, quando fiquei quase dois meses embarcado numa Fragata brasileira atravessando, literalmente, “meio mundo” num navio de guerra.
5. Como te imaginas daqui a cinco anos?
Eu não consigo me imaginar daqui a cinco anos, pois minha vida tem mudado radicalmente a cada dois, mas espero, até lá, iniciar a carreira acadêmica e já ter meu primeiro livro de “aventuras jornalísticas” publicado.


