1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Eu sou o Leandro Rodrigues, gaúcho de Porto Alegre. Mais especificamente, da zona norte da Capital. Sou um porto-alegrense em uma família vinda do Interior. Meus pais e irmão são naturais de Canguçu, de onde vieram no final dos anos 1960. De tanto passar as férias lá, com avós e tios, sou meio canguçuense também.
Sou jornalista formado pela Ufrgs, onde ingressei em 1997. Concluí a graduação no segundo semestre de 2000. A partir do 3º semestre, em 1998, considero o início da minha carreira. Meu primeiro estágio foi no Jornal da Universidade, uma baita experiência.
Em 1999, com o fim do período no jornal, era a hora de procurar novo estágio. Já fascinado pelas disciplinas de rádio na faculdade, comecei a estagiar na Rádio Gaúcha. Comecei como escuta e, em seguida, repórter. Puxa, ouvir a própria voz no ar, sendo chamado pelos apresentadores, aquilo foi fascinante. Ali, a paixão pelo veículo se cristalizou mesmo. Ainda estagiando na rádio, participei de um curso de formação para novos profissionais que foi oferecido pela Zero Hora. Em 2001, já formado, por causa desse curso, recebi proposta para migrar da rádio para o impresso. Era a oportunidade de saber como era por dentro um grande jornal. Subi um lance de escadas e troquei de redação. Foram quase 10 anos de ZH, uma experiência forte na editoria de Geral. Grandes amizades devo a esse período.
Em 2010, decidi buscar a volta ao rádio. A porta que se abriu imediatamente foi a da Band. Comecei em outubro de 2010 como repórter. No ano seguinte, me tornei chefe de reportagem da Bandeirantes e BandNews FM, sem esquecer de dar uns “tiros” como repórter sempre que possível. Espero que essa história tenha ainda muitos capítulos.
2. O que representou conquistar a premiação máxima do Prêmio Sebrae de Jornalismo?
Representou o ponto mais alto da minha carreira como repórter. Como gestor/chefe de reportagem, temos outros desafios, outros parâmetros de objetivo alcançado, de sucesso. Por isso, delimito como o grande momento de repórter. Significou realizar um sonho de uma grande reportagem de rádio vencedora, inspiradora, contagiante.
E, quando soube que foi a primeira vez que uma matéria de rádio ganhou o Grande Prêmio Sebrae, foi incrível. Tratou-se de um desabafo de todos os profissionais de rádio que estavam lá em Brasília na final do prêmio. Colegas de todas as partes do País felizes pela conquista do veículo rádio. Nem era mais o Leandro Rodrigues! Era o rádio brasileiro, exagerando, que havia vencido os outros, e isso era comemorado. Foi um momento de regozijo geral dos profissionais. E ter sido abraçado no primeiro instante pelo meu colega de BandNews Ricardo Boechat, mestre de cerimônia do evento, foi a cereja do bolo.
3. Como foi definida a pauta?
Temos em andamento na Band o chamado Grupo de Criatividade. Formamos uma turma, com integrantes de todos os veículos da Band, que se reúne periodicamente para avaliar os nossos produtos, discutir ideias, pensar em novos projetos. E pautas para reportagens especiais passam por esse grupo, tanto para rádio quanto para TV ou jornal. Numa dessas conversas, surgiu o tema empreendedorismo, negócios novos, gente jovem criando coisas. O nosso diretor de Jornalismo, Renato Martins, lembrou que fazia tempo que sugeria matéria nesse sentido, mas ninguém abraçava a causa. Pois naquele dia, quando saí da sala dele, a série tinha já até nome, tudo. Só – e é melhor colocar muitas aspas nesse “só” – faltava fazer tudo, achar os cases, especialistas, gravar entrevistas. Ufa! Foi um trabalho de campo bacana, encontrei gente muito boa, séria, trabalhadora. Com tudo isso feito, foi gravar, editar e trilhar, fase em que entrou o nosso colega Elisandro Pio, da Central Técnica da Band.
4. O que mais lhe dá prazer na profissão?
Sentir que se está fazendo um trabalho bem feito, que pode mudar o dia de alguém que você nunca viu e, provavelmente, nunca conheça. Quantas decisões, espero eu que sempre para o bem, o Jornalismo não determina? Desde adiar a saída de casa pela manhã por causa do trânsito até aproveitar determinado momento para um investimento pessoal. E quando fazemos um jornalismo sério, responsável, que respeita o ouvinte, fechamos o dia com uma sensação de prazer e de dever cumprido indescritível. Ali, mexemos com a vida das pessoas, como tantas vezes dizemos na redação. E, sempre, queremos mexer para bem. Talvez seja como marcar um gol em uma partida importante, como realizar uma cirurgia bem-sucedida, como identificar e prender um criminoso. Os profissionais de outras áreas podem entender melhor o que digo com essas comparações.
5. Quais são os planos para os próximos cinco anos?
Sinto que a minha missão como jornalista e, mais especificamente, como chefe de reportagem das rádios do Grupo Bandeirantes no Rio Grande do Sul está só no começo. Há muito espaço a ser explorado em reportagens especiais dentro do rádio e, para mim, é um diferencial que o veículo pode oferecer ao público. Teremos cada vez mais séries de reportagens direcionadas aos anseios dos ouvintes, que tragam respostas para temas ligamos à economia, à saúde, à sustentabilidade. Esse é um dos planos, e a Band está aperfeiçoando seus processos para isso. Pessoalmente, tenho sentido a necessidade de compartilhar a vivência profissional com quem está começando ou ainda na formação acadêmica. Fazer isso é um plano que já comecei a colocar em prática, sempre que possível, ao aceitar convites para bater papo com estudantes nas faculdades de Comunicação. Um chamado interno que ganha cara é associar minha prática de 16 anos de trabalho em veículos a uma pesquisa no Jornalismo. Acho que vem coisa interessante por aí.


