1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Sou jornalista, tenho 31 anos e sou formada pela Universidade de Caxias do Sul, cidade onde nasci. Desde 2003, trabalho em Zero Hora, com experiência como repórter nas editorias de Geral e Política. Atualmente, sou editora-assistente, atuando na coluna Página 10, com Rosane de Oliveira, e comentarista de política do programa TVCOM Tudo Mais.
Acredito no papel social do Jornalismo e isso se reflete na escolha das minhas pautas, como a reportagem ‘Adolescência Prostituída’, que ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2002; ou a reportagem ‘Herdeiros da Aids’, reconhecida com o Prêmio Ibero-americano pelos Direitos da Infância e Adolescência, da Unicef, em 2005; e a série os Rios Grandes do Sul, que recebeu o Prêmio Imprensa Embratel, em 2007.
2. O que representou a homenagem feita pela Assembleia Legislativa?
Ao receber a homenagem pela autoria da reportagem Filho da Rua, me dividi entre dois sentimentos contraditórios. De um lado, alegria por perceber que meu trabalho conseguiu sensibilizar o poder público para a história de crianças de rua como Felipe, o menino que eu acompanhei durante três anos e que foi o personagem da reportagem. De outro, frustração por constatar que o adolescente continua vulnerável, que sua história é o resultado de um fracasso coletivo.
Torço para que esta história que eu contei não seja em vão – e que a medalha seja um símbolo de comprometimento do poder público com a transformação da realidade dos tantos Felipes que andam pelas ruas.
3. O que todo repórter precisa saber?
Que a gente nunca sabe o suficiente, e, por isso, temos que perguntar, desconfiar, apurar mais e mais e mais, mesmo quando parece que a gente já sabe bastante. Afinal, toda boa reportagem exige uma certa dose de obsessão.
4. Qual é o balanço de aprendizado com a reportagem ‘Filhos da Rua’?
Ao longo do trabalho, recebi muitos questionamentos de colegas, que duvidavam do interesse público por uma reportagem como essa, já que era uma história “triste”, sobre um tema aparentemente conhecido.
O tamanho da repercussão após a publicação mostra que os leitores são, sim, capazes de ler 16 páginas de uma reportagem quando a história é bem contada. Que, neste momento em que tanto se fala que ninguém mais tem tempo para ler, ainda há espaço no Jornalismo para textos longos e apuração consistente. Espero que essa experiência possa servir de exemplo para futuras reportagens.
5. Quais são os planos para os próximos cinco anos?
Pretendo continuar fazendo grandes reportagens, pois acredito que este é o papel do Jornalismo impresso: aprofundar os temas, interpretá-los, contar aquilo que outros veículos não conseguem fazer, pelas limitações inerentes a sua natureza.
Mais do que simplesmente contar histórias, como jornalistas, a gente também escolhe quais histórias queremos contar. Sempre que possível, quero contar histórias humanas, pois é a partir das pessoas que começa a transformação. E acredito que o Jornalismo tem esse papel catalisador, de expor as mazelas, incomodar as estruturas, para que as coisas melhorem.
Em breve também vou concluir meu mestrado em Sociologia, pela Ufrgs, que explora um outro lado da minha trajetória: é um estudo que teve origem durante uma experiência em 2006, quando tirei licença de ZH e morei no interior de Moçambique, trabalhando como professora voluntária de português em uma escola pública e morando em um povoado sem energia elétrica.


