Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Luciana Kraemer

Jornalista e professora universitária retornou de um evento internacional, no Líbano, onde representou a Abraji

1. Quem é vocē, de onde veio e o que faz?

Nasci em Porto Alegre. Sou jornalista, formada pela Ufrgs, com mestrado em Ciências Sociais pela PUC.  Trabalhei por quase 15 anos como repórter da RBSTV – Núcleo Globo. Dou aulas de Telejornalismo, na Unisinos, e de Jornalismo Investigativo e Documentário no Centro Universitário Metodista do IPA. Sou conselheira da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

2. O que mais te dá prazer na profissão?

Sempre gostei de ouvir histórias, principalmente de gente comum. Saber como a pessoa fez para enfrentar uma perda, como conheceu o amor de sua vida, por que decidiu trabalhar em nome de uma causa. Acreditava que se outras pessoas tivessem a chance de conhecer estes relatos poderiam, como eu, se sentir confortadas. Uma sensação boa de pensar que fazemos diferença, como diz o Ciro Marcondes Filho, “de que estamos abandonando nossa existência insignificante”.

3. O que destacaria da experiência de representar o Brasil em uma conferência internacional?

A primeira sensação foi de euforia. Ir para o Oriente Médio, neste momento, é presente para qualquer repórter. Depois veio o senso coletivo. Representar a Abraji, que é parceira da Ifex há tanto tempo, é uma enorme responsabilidade. Aprendi muito em Beirute, principalmente com os companheiros da América Latina. Vi que as formas de violar a liberdade de expressão podem ser escancaradas (censura à opinião e à imprensa) ou indiretas  (falta de uma lei de acesso à informação pública, excesso de ações judiciais contra jornalistas, impunidade nos crimes contra profissionais da imprensa, enfim). Voltei com a certeza de que precisamos ter instrumentos e metodologia para monitorar estes casos.

4. De tua experiência no período de repórter, o que tem sido útil na hora de ensinar jovens?

Bom, tento passar os valores que aprendi: senso de responsabilidade, entendimento sobre o sentido de interesse público, mais do que “do público”, obstinação com precisão. Na hora de planejar a aula, posso dizer que a experiência ajuda a ilustrar a teoria. Tenho também uma tendência de estar sempre trazendo temas novos. Afinal, repórter detesta notícia velha.

5. O que todo jornalista investigativo deve saber?

Para fazer um trocadilho: deve saber que sempre sabe muito pouco e que, por isso, precisa ouvir muita gente, pesquisar muitos dados e ir a campo para ver se os dados batem com o apurado. E quando achar que o texto está bom, tem que mostrar o trabalho para aquele colega que adora fazer perguntas, para ter certeza de que não deixou perguntas sem respostas e que surpreendeu o leitor.

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