Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Luiz Antônio Araujo

Jornalista acaba de voltar de cobertura aos conflitos entre governistas, opositores do presidente Hosni Mubarak e forças policiais

1) Quem é você, de onde veio e o que faz?

Me chamo Luiz Antônio Araujo e nasci em Santa Maria, em 1967. Sou editor de Cultura e repórter especial de Zero Hora. Atuo há 15 anos no Grupo RBS e passei por diversas editorias, tendo maior experiência em política, seção que fui editor por 10 anos. Mantenho um site que pode ter bastante informação sobre o meu perfil. A ideia de criar a página surgiu para divulgar meu livro ‘Binladenistão – Um Repórter Brasileiro na Região mais Perigosa do Mundo’, que escrevi após a cobertura da guerra do Afeganistão, em que fiquei 29 dias no país.

2) Por que optou em trabalhar com coberturas de guerra e conflitos?

Não foi opção, aconteceu. Acho que a cobertura de guerra, ou qualquer uma internacional, é tão importante quanto as locais e todo jornalista deveria ter estas experiências. O que eu gosto é de coberturas no Oriente Médio. A região me fascina desde menino, quando ouvia ou via notícias de lá. Acho que é uma região que desperta a curiosidade das pessoas, ela povoa a imaginação. O objetivo do jornalista que acompanha coberturas no Oriente Médio deve ser o de tentar dissipar essa nuvem de incompreensão que existe sobre a região.

3) Você chegou a temer por sua vida na semana em que esteve no Egito?

Neste tipo de cobertura todos os jornalistas enviados (no Egito uma média de mil profissionais) sabem dos perigos, pois as condições de segurança se deterioram muito rapidamente. Ter a câmera confiscada, como foi o meu caso, assusta, mas faz parte deste tipo de trabalho. Já estive no presídio central de Porto Alegre, que também é assustador, mas a profissão envolve este tipo de risco. Trata-se de encarar a atividade a serviço do leitor, do ouvinte, do telespectador e do internauta.

4) Qual o episódio que mais te marcou durante sua trajetória profissional e por quê?

Todo dia passamos por situações marcantes. Acho que o Jornalismo permite vivenciar momentos e conhecer pessoas como nenhuma outra profissão. Me acho novo no jornalismo, tenho apenas 23 anos de caminhada, portanto, acredito que a cena mais impressionante na minha carreira ainda verei. Entrevistar o José Saramago, cobrir as eleições de 2002, acompanhar a primeira viagem do Lula, como presidente do Brasil, ao Chile e à Argentina; presenciar a guerra de 2001, dos Estados Unidos contra o Afeganistão; ter falado com alguns afegãos por cima de uma cerca, quando estava na fronteira do país. Tudo isso é muito marcante, mas ainda tenho muito a fazer.

5) O que todo correspondente de guerra deve saber?

A expressão não me agrada muito, prefiro dizer repórter. No caso do Egito, não foi uma guerra, foi pior, pois o país está vivendo uma revolução social. A gente nunca sabe onde está pisando, numa situação como essa. Acho que o jornalista que participa deste tipo de cobertura tem que ter uma visão do que é realmente um conflito e dos riscos que este oferece. Deve ser muito ético, pois a isenção numa hora dessas é primordial. É necessário contextualizar o momento para ajudar quem assiste a entender o que realmente está acontecendo. Também é muito importante ter convicção de que sua vida é sempre mais importante do que qualquer reportagem. Este tipo de cobertura não é turismo.

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