1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Sou Luiz Barbará, tenho 24 anos. Nasci em Uruguaiana, comecei a cursar Jornalismo na Unifra, em Santa Maria, em 2007. Mas, no meio do ano, me mudei para Porto Alegre, onde passei a estudar na PUC (Famecos) e me formei em julho de 2011. Desde 2010, estou trabalhando na área. O começo foi como estagiário no SBT, passei ainda pela assessoria de imprensa do Internacional, até chegar na RBS TV, onde eu fiquei mais tempo até agora. Lá, fui estagiário do núcleo de Esportes e editor do Jornal do Almoço.
Mas tinha vontade de ser repórter, e a oportunidade que surgiu foi na própria RBS, só que no interior do Estado. Aí, mais uma mudança. Fui para Santa Cruz do Sul e lá o repórter fazia tudo: reportava, editava texto e imagem, apresentava… É uma grande escola para quem quer começar em TV. Não chegou a fechar um ano e surgiu o convite da Band para retornar para Porto Alegre. Na Band, também acumulei funções na edição, reportagem, plantões na chefia de produção. Mais um baita aprendizado. Em junho do ano passado, surgiu a proposta da TV Record, onde estou até hoje, somente na reportagem.
2. Qual o sentimento de ter seu trabalho reconhecido no Prêmio ARI de Jornalismo?
Foi o principal momento na minha carreira até agora. Não representou somente a reportagem vencedora da Menção Honrosa, mas tudo o que venho lutando desde que decidi ser jornalista. Todos os nãos que escutei, das mudanças por crescimento e reconhecimento. Vi que a minha família estava orgulhosa e é para eles que busco o melhor. Recebi mensagens e telefonemas de amigos me motivando. Colegas de outras emissoras, gente experiente, gente que abriu as portas para mim também me procuraram para parabenizar. Isso foi o segundo prêmio. É muito gratificante. E tive espaço para desabafar o que sentia.
Como falei no dia da premiação, o reconhecimento não era só meu, e sim de toda uma nova geração de repórteres que estão buscando seus espaços. Hoje é cada vez mais difícil, o mercado para a reportagem é pequeno, as empresas são exigentes e quem tem pouca idade ainda sofre muito com a falta de oportunidade. Fiquei mais feliz ainda pelo fato de ter somente seis meses na TV Record e já ter sido indicado no principal prêmio do Estado. Eu era o mais novo disputando na categoria e só com profissionais experientes e que admiro muito. O fato de ser uma reportagem com o estilo que gosto de fazer também é motivo de alegria.
Gosto do jornalismo próximo das pessoas, que o repórter sente o que está se passando. Entendo que o repórter ainda é um grande contador de histórias, mas quem está assistindo quer ver ele inserido nisso. O tempo de ficar parado falando para câmera passou. A blindagem de sentimentos acabou. Temos que sentir na pele juntos. Pegar chuva, enfiar o pé no barro, ajudar. A TV Record quer e dá espaço para fazer essa proximidade entre o repórter, os personagens e os telespectadores. A reportagem era isso. E teve um espírito de equipe muito grande. Aliás, cheguei onde estou porque sempre tive o apoio de equipes empenhadas em fazer o melhor.
3. Como ocorreu a escolha pela TV, em relação aos demais veículos?
Minha história com a TV vem desde pequeno. O ponto exato desta história foi em 1999, quando o Jornal do Almoço fazia no Dia das Crianças um programa especial. Tinha um concurso onde crianças representavam os apresentadores e repórteres. Venci e representei o Lasier Martins. Aquilo marcou muito. Quando passei pela redação e pelo estúdio eu já tinha certeza: era ali que eu queria trabalhar. Foquei, fui atrás, sempre tive total apoio da minha família e conquistei o que queria. Anos mais tarde, lá estava eu editando e fazendo reportagens para o telejornal que me inspirou. Amo jornalismo, trabalharia em qualquer um dos outros veículos. Tanto na Record, Band e RBS tive oportunidade de fazer entradas na rádio. Já tive notícia veiculada em portais de notícia, escrevi crônicas para um jornal local de Uruguaiana, mas TV é fascinante. Mexe com quem assiste e com quem faz. Acredito que ainda é o veículo no jornalismo que mais aproxima as pessoas, que mais gera repercussão e discussão.
4. O que mais lhe dá prazer na profissão?
Conhecer pessoas e lugares. Quando chego na redação e vejo que a minha pauta é em uma cidade diferente, já ganho o dia. É a chance de buscar novos olhares. Um novo olhar meu, que vou contar as histórias, e das pessoas, que vão fazer parte dela. Entrar na casa das pessoas e ser bem recebido é uma alegria gigante, me tratam como se fosse um amigo antigo, próximo e sempre tento manter essa relação. Comigo não existe essa: “o repórter tem que ter o distanciamento das histórias e fontes”. O repórter tem que ter ética, coragem e criatividade. O resto é preciosismo e preconceito dos mais conservadores.
Criar proximidade, se emocionar com o entrevistado é o que me dá prazer. Também é prazeroso chegar na redação e ficar pensando no texto, ter tempo para pensar nas palavras, ir na ilha de edição decupar as imagens. Descobrir algo que ninguém sabe ainda e tentar fazer uma grande reportagem. E gosto do convívio com os colegas da empresa e concorrência. Gosto de discutir sobre jornalismo, assim nascem ideias, planos. E quando existe o entendimento de que jornalismo é um bem que temos em mãos para ajudar tanta gente, o prazer é constante. É muito bom receber uma ligação do tipo: “Lembra de mim? Por causa da reportagem que vocês fizeram, meu pai agora conseguiu um leito no hospital”. Isso é prazeroso, gratificante. É motivador.
5. Quais são os planos para os próximos cinco anos?
Para quem em quatro anos fez tantas mudanças e já trabalhou em quatro emissoras, é difícil planejar os próximos cinco anos. É óbvio que tenho planos, mas toda a vez que pensei: “Agora vou ficar aqui e fazer meu nome onde estou”, uma mudança para melhor aconteceu. Sei que gostaria muito de crescer dentro da TV Record, continuar conhecendo gente, entrar na casa das pessoas e ser bem tratado, viajar mais. Quero morar em outros lugares também. Quem sabe Rio de Janeiro ou São Paulo? Mas não posso querer antecipar as coisas. Tudo tem seu tempo. Tenho que ter a humildade de que tem muita coisa a aprender ainda. Tenho que adquirir experiência e respeito. Quem sabe mais alguns prêmios como o ARI? Mas o principal é que nos próximos cinco anos eu siga com o mesmo prazer que sinto hoje ou até mais.


