1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Marcelo Collar, 34 anos, editor do Movi, plataforma de conteúdo do Grupo Sinos voltada ao público jovem adulto. Natural de Novo Hamburgo, por aqui fiquei. Sou um dos criadores do Movi junto com Luciano Cardoso, gerente de Eventos e Conteúdo Jovem do Grupo Sinos. Hoje a equipe é formada por mim, pela repórter Marina Mentz, pelo fotógrafo Tiago da Rosa e parte do setor de eventos do Grupo Sinos, pois o Movi, além de produzir conteúdo para internet e impresso, também promove eventos pela região do Vale do Sinos.
2 – O que o levou para a área de Comunicação?
Entrei para a faculdade aos 16 anos, em 1999. Na época meu principal interesse eram os Ramones e os Misfits. Por influência da família e de alguns amigos, acabei caindo no Direito. Nada a ver comigo. Demorei para descobrir isso, e a vida me levou a concluir o curso em 2005. Na época eu já percebi que não rolaria, apesar de ter chegado a tentar o exame da Ordem.
Pouco depois, não lembro exatamente quando foi, assisti ao documentário Falcão: Os Meninos do Tráfico, produzido pelo MV Bill. Foi o momento no qual decidi que era aquilo que eu gostaria de fazer. Não traficar drogas num morro carioca, mas contar histórias.
Em 2006, iniciei o curso de Jornalismo e, em um semestre, fiz tudo o que não tinha feito durante toda a faculdade de Direito. Tentei ao máximo me meter em cada cantinho da universidade, conhecer pessoas, professores e possibilidades. Acabei ficando um tempo na pesquisa em Comunicação e, em seguida, entrei na AgexCom, a agência experimental da Unisinos. Lá conheci mais gente, fiz mais contatos, e logo comecei a trabalhar fora da universidade.
3 – Como foi participar da criação da plataforma Movi?
Foi uma experiência muito gratificante. Entrei no processo bem no início, quando fizemos grupos de discussão para desenhar o que seria a plataforma. Ver tudo tomar forma, com os impressos indo para a rua, os seguidores aparecendo nas redes e os leitores participando de nossos eventos, promoções e vídeos, é muito legal. O retorno tem sido muito positivo e acredito que estamos fazendo algo relevante para a cultura da nossa região. Hoje tenho um apreço muito grande pela plataforma e luto para que ela sempre cresça.
4 – O que significa para a sua carreira estar à frente dessa plataforma e falar diretamente com o público jovem?
É uma bênção e um desafio ao mesmo tempo. Por um lado, é muita diversão. Aqui no Movi temos uma liberdade muito grande para criar, e isso não tem preço. Dessa forma, o trabalho nos leva a visitar muitos lugares e conhecer muita gente interessante. Por outro lado, é tenso. É uma tensão boa, mas é tensão! Hoje a cultura e o entretenimento se movimentam e mudam muito rapidamente. O que é legal hoje, amanhã já irrita. Por isso é um constante desafio estar bem informado e saber o que está acontecendo.
5 – No cenário atual, qual o principal desafio de quem trabalha com Jornalismo?
Analisando minha área de atuação, penso que o maior desafio do jornalista hoje é ser atrativo. A internet prolifera uma infinidade de conteúdo que, muitas vezes, vai na contramão da “boa prática jornalística”. O paradoxal é que essa “boa prática jornalística” – a ética e o modo de fazer que a gente cultiva desde a faculdade – tem a tendência de não agradar o leitor, principalmente o mais jovem. É claro que os formatos mais tradicionais de jornalismo estão ultrapassados, batidos. Um bom vlogger, hoje, conversa muito melhor com o público jovem do que o William Bonner, por exemplo, jamais conseguirá.
O maior desafio é encontrar essa linguagem, esse jeito de fazer as coisas. No Movi a ideia é sempre agir com muita naturalidade, tanto no texto como na nossa postura nas redes sociais e vídeos da plataforma. Não existe uma explicação plausível para aquele “jeito telejornalístico” de falar, por exemplo. A vida real não é assim, e queremos nos aproximar do jornalismo dela. Como estamos falando para um público um pouco mais definido – ainda que muito heterogêneo – acredito que fica mais fácil de fazer.

