Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Rud Santos

Relações-públicas é o fundador da Mar Conteúdo e Comunicação

Para Rud Santos, a criação da Mar representa a realização de um projeto pensado há alguns anos. - Crédito: Gian Guglieman.

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou Rudmar Aminadab Santos, conhecido por todos como Rud Santos. Sou natural de São Jerônimo, sou relações-públicas formado pela PUCRS, mestre em Comunicação pela mesma instituição, e um profissional que busca trabalhar com bastante humanização e de uma forma horizontal por onde passa.

2 – Por que escolheu a área de Relações Públicas?

Eu escolhi Relações Públicas por uma vontade de entender a comunicação de uma forma geral. Antes de fazer a faculdade de Relações Públicas, cursei cinco semestres de Direito, e esse período foi muito importante para eu entender que a comunicação era extremamente importante na minha vida.

Antes e durante a faculdade de Direito, eu fui artista amador na minha cidade. E ali eu já tinha uma vontade muito grande de me comunicar, mas de outras formas: por meio da dança, do teatro dançado e das relações que fui construindo a partir dessas experiências.

Desde criança, eu já sabia que queria trabalhar com arte. Primeiro, queria ser ator, diretor e produtor. E, por meio da graduação em Relações Públicas, entendi que precisava ir além das questões artísticas e entrar nesse universo comunicacional como um profissional.

A faculdade de Relações Públicas me apresentou justamente essa visão ampla da Comunicação, e foi ali que eu entendi que era nessa profissão que queria atuar.

Eu costumo dizer que somos atores dentro das nossas próprias carreiras, mas também somos diretores. A partir disso, conseguimos construir uma jornada dentro daquilo que nos propomos a fazer como profissionais. Eu me entendo como essa pessoa que dirige, com muita responsabilidade, aquilo que se propõe a fazer.

E acredito que isso vem muito da minha época como artista amador, das experiências que tive com diferentes personagens e com diferentes profissionais da arte. Foram essas vivências que despertaram em mim essa vontade de me comunicar e, posteriormente, de trabalhar com a comunicação de forma profissional e construir, a partir dela, a minha trajetória empresarial.

3 – A Mar nasce com a proposta de reunir profissionais de diferentes áreas em equipes horizontais e desenvolver projetos que fujam do “mais do mesmo”. Como esse modelo deve funcionar na prática?

Essa proposta nasce, primeiro, das experiências que tive ao longo da minha vida profissional. Em muitos momentos, percebi que faltava uma humanização do profissional de Comunicação. Muitas vezes somos desrespeitados e, ao mesmo tempo, constantemente desafiados.

Hoje, tenho a liberdade de falar sobre isso com tranquilidade, porque não tenho mais chefe. Eu acabo sendo chefe e, justamente por isso, posso levar esse conceito para os projetos em que atuo e cobrar essa mesma postura de mim, da equipe que trabalha comigo e também de quem está me contratando. Para mim, isso significa cobrar respeito em todos os momentos, inclusive, e principalmente, quando estamos sob pressão. A pressão faz parte do trabalho, mas ela nunca pode ser justificativa para desrespeitar as pessoas.

Para mim, ser um chefe não significa estar em um pedestal. É olhar para os profissionais que estão ao meu lado de forma horizontal. Isso torna o dia a dia mais leve e faz com que cada profissional tenha a mesma responsabilidade que eu de concluir o trabalho com compromisso e qualidade.

Na prática, isso acontece de uma forma muito simples: com diálogo, reuniões, organização das demandas e, principalmente, liberdade para que as pessoas possam criar junto comigo e participar da construção dos conceitos.

Essa liberdade e essa confiança também vêm de um grande mentor que fez parte da minha vida, Carlos Henrique Totti. Ele me ensinou que, para trabalhar com Comunicação, a gente não pode ter ego. A gente precisa confiar nos profissionais que estão ao nosso lado.

Tive uma grande oportunidade de viver isso quando trabalhei como produtor no setor de Marketing e Eventos da Band RS. Algumas responsabilidades e escolhas eram colocadas nas minhas mãos quando eu ainda tinha 22 e 23 anos. E nem todo chefe que veste a carapuça do ego teria essa confiança para dar responsabilidades tão grandes a um profissional tão jovem.

Também tive uma experiência muito importante na Cem Cerimônia Eventos, com a Luciane Pacheco, que foi uma chefe e uma mentora para mim. Logo nos meus primeiros dias de trabalho, praticamente no meu primeiro estágio, ela colocou nas minhas mãos a responsabilidade pela produção de um dos grandes eventos da agência.

Eu era muito tímido e precisei aprender muita coisa do zero. Com a orientação dela e junto com outras pessoas da equipe, tive que conversar com cerca de 25 grandes personalidades do Rio Grande do Sul que seriam homenageadas em um prêmio muito importante no Estado.

Ali eu tive uma experiência muito forte como produtor e como relações-públicas. Precisei correr atrás, aprender, resolver problemas e fazer acontecer. E foi justamente essa experiência que me deu a certeza de que eu queria trabalhar com isso e que eu era capaz de fazer.

Então, quando penso na Mar, penso muito nessas experiências. A ideia é criar um ambiente em que as pessoas tenham responsabilidade, mas também tenham confiança, liberdade e espaço para criar. Porque acredito que uma comunicação melhor acontece quando o ego fica de lado e as pessoas conseguem construir juntas.

4 – O primeiro grande projeto da agência é a comunicação política de Reginete Bispo. Quais são os principais desafios de construir uma estratégia para uma campanha eleitoral?

Uma campanha eleitoral exige muita estratégia, agilidade e capacidade de adaptação. Não basta simplesmente produzir conteúdo: é preciso entender a candidata, sua trajetória, seus públicos, o território e o momento político. 

No caso da Reginete Bispo, existe também o desafio de comunicar uma trajetória de muita luta e representatividade de uma forma que dialogue com diferentes pessoas, sem perder a essência do que ela representa. Comunicação Política precisa ter verdade, estratégia e capacidade de gerar conexão. E, principalmente, precisa entender que cada conteúdo faz parte de uma narrativa maior.

5 – Quais são seus planos para daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos, quero olhar para a Mar e perceber que construímos uma agência reconhecida por fazer comunicação de um jeito diferente. Quero ter desenvolvido projetos relevantes, reunido profissionais talentosos e criado oportunidades para pessoas que acreditam em uma comunicação mais criativa, humana e estratégica. Também quero continuar estudando, pesquisando e me desafiando profissionalmente. Não tenho uma fotografia exata de onde quero estar, mas tenho bastante clareza sobre como quero chegar lá: em movimento.

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