Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Sílvia Marcuzzo

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou uma pessoa inquieta, multifacetada de texturas diversas. Explico melhor: sou jornalista, consultora, facilitadora de grupos, artista, mãe, filha de idosa, por vezes síndica. Como acompanho, desde 1993, as questões socioambientais e os caminhos para se exercer a sustentabilidade, venho atuando em ações para melhorar a qualidade de vida de pessoas mais vulneráveis, daí a campanha dos CataDORES Todo mundo CUIDA de Todo Mundo. Atuo como consultora de comunicação para processos e práticas sustentáveis, assim como facilito conversas entre distintos segmentos para que pontes sejam erguidas entre distintas realidades. 

Tenho escrito, feito postagens nas redes sociais onde utilizo distintas linguagens para evidenciar o quanto somos responsáveis pelo avanço civilizatório.  Nessa quarentena, nasceu o papo ‘Nas ondas da transição’, que são lives que faço todas as quintas, às 17h, no meu perfil do Instagram @silmarcuzzo, onde entrevisto pessoas que já se deram por conta do quanto precisamos cultivar relações mais humanas e sustentáveis em várias dimensões.

Como venho investigando, testando outras formas de engajar as pessoas para a necessidade de despertar para a consciência do impacto que geramos no mundo, entendo que precisamos inovar para tocar o coração das pessoas. 

Se hoje se fala muito em viver de acordo com o propósito, eu já venho praticando isso desde quando fui repórter no Correio do Povo, em 1993, onde descobri a necessidade de darmos mais cobertura para questões ambientais.

Durante a quarentena, escrevi no meu blog como amigos estão enfrentando a pandemia em diferentes países e também venho dando dicas de cuidados junto com meu marido, que trabalhou muitos anos com vigilância em saúde, para os amigos no Facebook. 

2 – Por que escolheu ser jornalista?

Tenho formação em jornalismo, já trabalhei para vários veículos e editei, produzi diversas publicações, 95% delas ligadas à pauta ambiental. Hoje minha atuação é diferente do que se entende como jornalista. Acho que o momento exige que não sejamos apenas jornalistas. O contexto requer que tenhamos múltiplas habilidades. Talvez na época, escolhi ser jornalista por adorar o clima da redação, a reportagem. Hoje, acredito que nós precisamos ser parte da solução e não só evidenciar os cenários e as informações que podem ser notícia. 

3 – Como surgiu a ideia de criar a campanha ‘CataDORES – Todo mundo cuida de todo mundo’?

Sou articuladora do coletivo POA INquieta, onde criei, em dezembro de 2018, o spin POA Inquieta Sustentável, que daí se originaram outros grupos, como o POA INquieta Orgânicos, POA Inquieta Moda Sustentável, POA Inquieta Plantio/Clima. No grupo do POA Inquieta Resíduos, que tem a participação de pessoas de vários lados da cadeia da reciclagem, o pessoal das Usinas de Triagem vinha já algum tempo reclamando da situação, quando culminou com a chegada da pandemia. Nós já tínhamos visitado dois pontos de triagem, feito várias reuniões e sentimos que precisávamos agir. E aí muitas pessoas se engajaram, se uniram, o que resultou no fortalecimento das relações e na obtenção de mantimentos, kits de higiene, fraldas etc.

 4 – Qual é a importância da sociedade ter projetos como este?

Creio que essa situação da pandemia escancarou o quanto precisamos cada vez mais estabelecer laços de colaboração e sentirmos o quanto tudo isso tem a ver com a sustentabilidade. Já venho exercitando isso em outras redes, como a da Fluxonomia 4D, com amigos de outros estados, pois trabalho, principalmente, para organizações fora do Rio Grande do Sul. Projetos de cooperação, com decisões de consenso, gestão horizontal são cada vez mais reais e necessários. Nessa campanha, a rede foi formada por muitas pessoas que nunca tinham se encontrado, mas que sentiram o campo da confiança para atuar nessa causa coletiva. Creio que o processo foi tão ou mais importante que o resultado. Hoje, nós precisamos nos cuidar, nos ajudar, sentir o quanto todos fazemos parte do mesmo barco. Precisamos confiar mais uns nos outros, isso é fundamental nesse momento que o País está atravessando.

 5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos, pretendo estar na equipe de coordenação de uma rede de empresas, organizações, governos que atuem juntos para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o principal desafio planetário que está à nossa frente. O que está acontecendo com o mundo diante dessa endemia (pois teremos que conviver com o Covid-19 por um tempo ainda incerto) é uma amostra do que pode estar por vir, alertam os cientistas. 

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