Acessibilidade amplia participação do público no 54º Festival de Cinema de Gramado

Parceria com a Ovni Acessibilidade Universal possibilita recursos como audiodescrição e tradução em Libras

Há mais de 10 anos, o Festival de Cinema de Gramado vem ampliando suas iniciativas de acessibilidade para garantir que diferentes públicos possam vivenciar a programação cultural de forma plena. A partir dessa compreensão, nasceu a parceria com a Ovni Acessibilidade Universal. Os recursos estiveram presentes desde a cerimônia de abertura da 54ª edição. Os discursos das autoridades foram acompanhados pela tradutora e intérprete de Libras Celina Xavier, permitindo que pessoas surdas acompanhassem o conteúdo apresentado no palco.

A Ovni é uma empresa e um coletivo cultural de Porto Alegre, especializada na produção de recursos de acessibilidade comunicacional. Atua na oferta de audiodescrição, legendagem e tradução para eventos culturais, espetáculos teatrais, sessões de cinema e outras atividades artísticas. Ao longo dos anos, a colaboração com o festival consolidou uma estrutura que busca tornar a experiência cinematográfica mais democrática e acolhedora.

Viagens inclusivas

Além dos recursos oferecidos durante a programação, a Ovni também coordena a inscrição e a organização da viagem em grupo para participantes de diferentes municípios gaúchos. Neste ano, mais de 50 pessoas, entre acompanhantes e pessoas com alguma deficiência visual, de cidades da Região Metropolitana, participaram da iniciativa. A equipe responsável pelo atendimento é formada por mediadores, organizadores, tradutores e intérpretes de Libras, além de profissionais especializados em audiodescrição.

Novidade

A partir desta sábado, 15, os participantes inscritos no programa de acessibilidade utilizaram um novo recurso tecnológico. Eles puderam assistir ao filme ‘Feito Pipa’ com audiodescrição, produzida em parceria com a Iguale Comunicação de Acessibilidade e disponibilizada por meio do aplicativo MovieReading, desenvolvido pela Universal Multimedia Access.

Por meio da plataforma, cada participante acessa a narração utilizando o próprio celular e fones de ouvido sincronizados com a exibição do filme, diferente do ocorrido em outros anos, em que a audiodescrição era feita ao vivo. De acordo com a empresa, a nova ferramenta amplia as possibilidades de acesso às obras audiovisuais e permite que os recursos de acessibilidade estejam disponíveis em diferentes espaços de exibição.

Para quem acompanha o festival há anos, no entanto, a experiência vai além da tecnologia. Josiane França, participante do programa de acessibilidade e pessoa cega há 18 anos, conta que a ida a Gramado já se tornou uma tradição. Ela integra um grupo de WhatsApp que reúne mais de 100 participantes de diferentes regiões do Estado e compartilha informações sobre as atividades do evento.

Embora utilize aplicativos de audiodescrição em salas de cinema, Josiane destaca a emoção das sessões com narração ao vivo. “A audiodescrição ao vivo tem mais emoção. A pessoa que está ouvindo percebe até os suspiros da narradora”, relatou.

Ela reconhece a importância dos recursos tecnológicos para ampliar o acesso à cultura, mas acredita que a presença humana continua sendo um diferencial importante na experiência. “O aplicativo é muito válido, mas a essência da audiodescrição está na sensibilidade de quem está narrando”, ponderou.

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