Bate-papo aborda estratégias para freelancers venderem pautas a editores

Com mediação da repórter Naira Hofmeister, atividade reuniu representantes da Rádio Novelo, revista Piauí e The New York Times

Da esquerda à direita: Naira Hofmeister, Adam Ellick, Paula Scarpin e Daniel Bergamasco

O que é preciso para ter uma pauta aprovada por um editor? Essa foi a pergunta que norteou o debate ‘Em busca do pitch perfeito: dicas de quem seleciona as sugestões de frilas nas redações’, realizado durante a sexta-feira, 31, durante o 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Com mediação da repórter investigativa freelancer Naira Hofmeister, a atividade contou com a participação de Paula Scarpin, diretora de criação da Rádio Novelo. Além delas, integraram a atividade Daniel Bergamasco, editor executivo da revista Piauí, e Adam Ellick, chefe do escritório do The New York Times no Brasil.

Em um cenário de redações cada vez mais enxutas, o trabalho dos freelancers tem se tornado ainda mais relevante para a produção jornalística. “Dependemos do olhar e da participação dos freelancers”, afirmou Paula Scarpin. Segundo ela, todas as sugestões são lidas. Em cada reunião de pauta, um integrante da equipe fica responsável por levar o “carro da pauta”, nome dado à seleção das propostas enviadas pelos freelancers que serão discutidas pela redação. A brincadeira interna acabou se tornando uma forma simpática de representar o momento em que as ideias “chegam” para serem avaliadas.

No caso da Rádio Novelo, por trabalhar com podcasts narrativos, a escolha das pautas considera não apenas o fato em si, mas sua relação com um contexto mais amplo. “Temos essas duas camadas: o micro e o contexto desse impacto. Buscamos entender os pontos de virada da história e o potencial narrativo da proposta”, explicou.

Na Piauí, Daniel Bergamasco destacou que está sempre aberto a novas sugestões e que até as ideias mais simples podem evoluir para grandes reportagens. “É uma construção que pode levar tempo e envolver muitas mãos. Nem sempre a pauta vem de alguém conhecido ou com um grande histórico de publicações. O que vale é a qualidade da ideia e o timing”, afirmou.

Para Adam Ellick, que atuou como freelancer antes de ingressar no The New York Times, além de uma boa ideia, é importante que o jornalista demonstre porque é a pessoa mais indicada para contar aquela história. “Gostamos de freelancers porque eles trazem um olhar fresco sobre diferentes assuntos”, disse. Segundo ele, também é fundamental saber defender a proposta pensando na audiência. “É preciso explicar por que aquele público se importaria com essa história e quais sentimentos ou reflexões ela pode despertar”, enumerou.

Inclusão e diversidade

Outro tema que ganhou destaque foi a diversidade entre os colaboradores freelancers. A Rádio Novelo mantém uma planilha que permite acompanhar características dos profissionais, buscando ampliar a representatividade entre seus colaboradores. De acordo com Paula, essa preocupação também se reflete nas histórias produzidas.

“Queremos que as histórias reflitam diferentes realidades, sejam elas regionais, raciais ou de identidade. Um exemplo foi uma reportagem sobre o Cariri produzida por uma freelancer da própria região. Ela conhecia profundamente aquela realidade, o que trouxe muito mais propriedade ao material”, relembrou.

Daniel Bergamasco acrescentou que, embora a Piauí não tenha um controle tão sistemático, procura ampliar a diversidade sob diferentes perspectivas, incluindo a etária. “Gostamos muito de publicar textos de jornalistas de 60, 70 anos. A experiência também traz olhares muito ricos para o jornalismo”, destacou.

A conversa evidenciou que, em diferentes veículos, a aprovação de uma sugestão de pauta vai muito além de uma boa ideia. Originalidade, timing, domínio sobre o tema, capacidade narrativa, conhecimento da audiência e diversidade de olhares são fatores cada vez mais valorizados.


Entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, o Coletiva.net traz uma cobertura especial do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Com relatos de Carolina Rispõlí, da Emanacom, direto de São Paulo, os leitores acompanharão debates, bastidores e tendências do evento, em conteúdos exclusivos para o portal, a Coletiva.rádio e as redes sociais. 

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