Conheça mais detalhes da estratégia de relacionamento da CBF na Copa do Mundo

Membro do Marketing de Seleções da confederação, Luis Carlos Fula especificou diversas ações que aproximaram torcedores da Seleção Brasileira

Luis Carlos Fula, membro do Marketing de Seleções da CBF e diretor-executivo do Instituto CBF. - Crédito: Comunicação Caldeira.

Durante a palestra ‘Joga Junto: a estratégia de marketing do Brasil na Copa’ na Semana Caldeira, Luis Carlos Fula, membro do Marketing de Seleções da CBF e diretor-executivo do Instituto CBF, detalhou a estratégia de relacionamento traçada em 2026 para aproximar torcedores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. De acordo com o executivo, a ideia foi entregar pesquisa, comunicação, relacionamento, experiências e negócios. E isso aconteceu após uma longa pesquisa, em outubro do ano passado.

A campanha ‘Bate no Peito’ ganhou uma série de investimentos em diferentes formatos e deu o tom do objetivo da CBF. Desde o sorteio das chaves, passando por manifesto e comerciais na TV Globo, ativação de marcas na Sapucaí durante o Carnaval e um encontro exclusivo com a imprensa nacional.

E teve ainda mais ações. Confira abaixo mais detalhes desta estratégia:

Futebol como experiência

Uma das frentes foi a presença da Seleção nos videogames. Segundo o executivo, até quatro meses antes da competição não era possível encontrar Vinícius Júnior disponível para jogar nos games relacionados à Seleção. A negociação passou a integrar a estratégia de aproximação do público jovem.

Já o evento de divulgação da aguardada lista de convocados ganhou uma dimensão inédita. A intenção era “parar o Brasil”, com transmissão ao vivo pela Globo e outras plataformas. Foram 72 minutos de programação. 

Ingressos e proximidade com a torcida

A experiência do torcedor também foi colocada no centro da estratégia. Uma das principais reclamações identificadas pela equipe de Marketing era a percepção de que assistir à Seleção havia se tornado algo restrito a quem podia pagar ingressos caros.

Na outra ponta, estava a experiência dos próprios jogadores. Em Nova York, onde a equipe ficou concentrada, o Marketing trabalhou em conjunto com outras áreas para transformar o hotel escolhido em uma espécie de “casa do Brasil”. O espaço foi fechado exclusivamente para a Seleção e adaptado para receber jogadores, comissão técnica, imprensa e convidados. Até uma quadra de tênis foi construída. Os ambientes foram identificados em português, os quartos receberam placas nominais e elementos da CBF, e áreas de convivência foram criadas para os atletas.

Uma das mais disputadas foi a chamada “Men’s Cave”, espaço com videogames, fliperamas, simuladores de Fórmula 1, pingue-pongue, sinuca e pebolim. A ideia era criar um ambiente de convivência e descanso para os jogadores durante a competição. Também foram desenvolvidas experiências ligadas à performance esportiva. A Nike, em parceria com a CBF, montou uma academia no hotel, enquanto outros espaços contavam a história da Seleção e dos oito jogos disputados.

Marca, torcida e negócios

Para Fula, os resultados mostram que a estratégia de Marketing ultrapassou a comunicação e teve impacto também na relação comercial da Seleção. Segundo os números apresentados durante a palestra, o Brasil passou de cinco para 12 patrocinadores ativos, com o retorno de marcas como Sadia e Volkswagen, e a chegada de empresas como Amazon, Azul, iFood e Uber.

A Seleção também alcançou a marca de 26,6 milhões de seguidores, tornando-se, segundo Fula, a seleção nacional de futebol mais seguida do mundo. Até o Canarinho entrou na estratégia. O mascote chegou a ocupar a 14ª posição entre os mascotes com mais seguidores nas redes sociais e encerrou a competição na quinta colocação, com cerca de 458 mil fãs online. Para Fula, o personagem demonstrou uma capacidade de comunicação que muitas vezes supera a de influenciadores e atores.

Outro indicador citado foi o interesse pela camisa. De acordo com Fula, a camisa da Seleção voltou a ser vista como um uniforme do brasileiro, enquanto a Nike teria registrado faturamento de R$1,2 bilhão com o produto. Mesmo diante de um desempenho esportivo abaixo das expectativas, o executivo afirmou que os patrocinadores permaneceram vinculados à Seleção e que os contratos já estão renovados para o próximo ciclo até 2030, com duas negociações ainda em andamento.


A equipe de Coletiva.net está presente na Semana Caldeira, realizada de 21 a 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Luma Costa, Márcia Christofoli, Márcia Dihl, Patrícia Lapuente e Sarah Acosta, as assistentes de Redação Ana Rosa Scheibe e Ronise Garcia, bem como a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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