Depois de 15 anos, Tchê Guri volta aos palcos e conta como a música virou negócio

Fabinho Vargas relembrou no Summit Empreender 40+ a trajetória da banda gaúcha e traduziu a essência do empreendedorismo: recusa, ousadia e sucesso

Banda Tchê Guri levantou o público no final da tarde no Summit Empreender 40+. - Crédito: Coletiva.net


Caía a tarde no Summit Empreender 40+, realizado nesta quarta-feira, 13, no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, quando Fabinho Vargas subiu ao palco acompanhado do vocalista Leandro Vargas (Lê) e do acordeonista Vladi Oliveira. “Depois de 15 anos, volto ao palco com esses caras que eu amo”, disse Fabinho, um dos sócios do evento, emocionado, antes de contar como a música e o empreendedorismo sempre andaram juntos na trajetória da banda Tchê Guri.

Tudo começou em um bailão em São Leopoldo. Os pais levaram os meninos a um show, e aquilo foi o estopim: Fabinho se uniu ao Lê e criaram o Conjunto Mirim-Guaçu, chegando a prospectar um patrocinador na frente de um supermercado. Depois virou Tchê Guri, e a banda foi parar no Norte e Nordeste do Brasil, passando dois anos levando música gaúcha para o Pará, Maranhão e Tocantins. 

Sem internet, sem TV, ouvindo rádio o dia inteiro. Foi assim que absorveram carimbó, merengue e lambada – e compuseram o que, na cabeça deles, era música gaúcha. Gravaram o CD ‘Primeiro’, mas nenhuma gravadora queria lançar. Até que a City Records abriu as portas, e o Tchê Guri se tornou a banda que mais vendeu CDs no Sul do país.

Alcance nacional

O sonho seguinte era o Galpão Crioulo. No caminho, vieram as oportunidades nacionais: Clube do Bolinha, Show da Xuxa, Raul Gil, até que uma aparição no programa do Ratinho os levou ao primeiro lugar no Ibope. “Nosso negócio é música. Quando a banda vira empresa, a empresa aprende a tocar junto”, resumiu Fabinho.

A mentalidade empresarial foi crescendo junto com a música. Montaram uma gravadora própria, o selo SL4, e depois uma produtora. Fabinho negociou diretamente com as lojas Casas Bahia para o Tchê Guri tocar nas inaugurações de todas as lojas do Rio Grande do Sul. 

No palco, Fabinho também falou sobre as músicas que quase não existiram. Uma composição recebida de um compositor nordestino foi recusada pela banda, até que a melodia foi gravada por Alexandre Pires e estourou em todo Brasil. Outra história envolveu uma letra do compositor Nico, que foi parar nas mãos do Bagre, resultou na música Canto Alegretense, um “hino” para o povo gaúcho. A lição ficou no ar: nem sempre a gente reconhece o que tem nas mãos.

Mesmo produto, nova embalagem

Para falar de reinvenção, Fabinho usou uma metáfora simples e poderosa: “LP, CD e Spotify, o produto pode ser o mesmo, a embalagem nunca é. Quem sabe agora é o momento de reembalar a tua vida, a tua história?” 

Mas nem tudo foram flores. Em 1998, o Movimento Tradicionalista Gaúcho proibiu o Tchê Guri de tocar nos CTGs. A resposta foi tirar a bombacha e buscar novos mercados, até que o encontro com Frank Aguiar abriu caminho para um rebranding completo, com o lançamento do DNA Gaúcho. “Nós precisamos ter nossas raízes, nossa verdade”, declarou Fabinho, encerrando a palestra com outro sucesso: ‘Eu Sou do Sul’, que levantou a plateia.



A equipe do Coletiva.net está presente na segunda edição do Summit Empreender 40+. A cobertura conta com as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta, e a social media Anie Cristine Gabriel. Acompanhe em tempo real pelo portal Coletiva.net, Facebook, Threads, Instagram e Coletiva.rádio.

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