
O 54º Festival de Cinema de Gramado tem sido especialmente intenso para os cineastas Renato Dornelles, colunista do portal Coletiva.net, e Tatiana Sager. Além de receberem o Prêmio Iecine Destaque, homenagem concedida a profissionais que contribuem para o fortalecimento do audiovisual gaúcho, a dupla participa desta edição com três produções em diferentes mostras do evento.
Na competição de Curtas Gaúchos, apresentam ‘O Retorno’, uma produção da Falange com coprodução da Panda Filmes. Na Mostra Paralela, exibem o longa ‘Grenal – O Maior Clássico das Américas’, dirigido por Belisario Franca e Tatiana Sager, com direção adicional da equipe da Panda e produção da Giros Filmes, do Rio de Janeiro, em coprodução com a produtora gaúcha. Já na competição de Longas Gaúchos, apresentam ‘Filhas da Lua’, dirigido por Tatiana Sager e Gabriel Sager Rodrigues, que também assina a fotografia e a montagem do filme.
“Está sendo um festival muito intenso. Havia tempo que não tínhamos tanta função e tantos espaços dentro de uma mesma edição”, resumiu Renato Dornelles em entrevista ao Coletiva.net. A agenda movimentada reflete um momento de grande produtividade da dupla. Segundo os realizadores, atualmente são cerca de 14 projetos em desenvolvimento, entre longas, séries documentais e produções audiovisuais de diferentes formatos. Entre eles está uma série documental produzida em parceria com o Brasil de Fato, prevista para estrear em novembro, que aborda temas ligados à negritude e à religiosidade afro-brasileira.
Início e fim da trilogia
A trajetória de Renato e Tatiana é marcada por produções voltadas aos direitos humanos, área que acompanha a formação dos dois ainda no Jornalismo. Tatiana iniciou a carreira como fotógrafa de imprensa e Renato como repórter, experiências que influenciam diretamente os temas escolhidos para seus filmes. “Quase todos os nossos trabalhos abordam questões relacionadas aos direitos humanos”, explicou Tatiana. Um exemplo é ‘Filhas da Lua’, que retrata histórias de mulheres trans e travestis que passaram pelo sistema prisional. O longa encerra uma trilogia iniciada com ‘Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil’, sobre o encarceramento masculino, e seguida por ‘Olha Pra Elas’, dedicado à realidade das mulheres privadas de liberdade.
Mais do que colecionar prêmios e participações em festivais, os cineastas destacam o impacto social de suas obras como a principal conquista da carreira. Dornelles lembra que ‘Central’ foi o terceiro documentário brasileiro mais assistido nos cinemas em 2017, circulou internacionalmente e passou a integrar debates acadêmicos e institucionais. Juntos, ‘Central’, ‘Olha Pra Elas’ e a série ‘Retratos do Cárcere’ participaram de mais de 200 cine-debates em universidades brasileiras e estrangeiras. “O mais gratificante é quando percebemos que o filme ajuda a gerar reflexão e mudanças concretas”, salientou.
Para Tatiana, o reconhecimento do Iecine reforça que a mensagem transmitida por suas produções está alcançando o público. “A gente trabalha com temas que muitas vezes permanecem invisíveis para a sociedade. Quando as pessoas assistem aos filmes e passam a compreender melhor essas realidades, sentimos que estamos cumprindo nosso papel”, finalizou.

