
Na manhã deste sábado, 22, o produtor de ‘La Perra’, Rodrigo Teixeira, esteve presente no Serrazul Hotel para uma coletiva de imprensa no 54° Festival de Cinema de Gramado. A obra é dirigida por Dominga Sotomayor e possui roteiro de Inés Bortagaray.
No início da coletiva, mediada pelo jornalista e apresentador do festival, Roger Lerina, destacou que o filme é uma adaptação do livro ‘Cachorra’, da escritora colombiana Pilar Quintana. Ele contou sobre as semelhanças e diferenças que se mantiveram na adaptação e questionou sobre o processo de criação.
Processo de criação
O produtor compartilhou que, em 2019, recebeu o livro ‘A Cachorra’ para ler e produzir o filme. Apesar da história se passar na Colômbia, o produtor destacou que preferiu gravar a produção cinematográfica no Chile. Isso porque, a obra foi filmada em outubro de 2025, considerando que o clima colombiano seria o ideal para ilustrar a trama.
Conforme Rodrigo, 70% do financiamento do filme foi brasileiro, enquanto 30% oriundo do Chile. “Ainda sim, acho válido considerá-lo estrangeiro (chileno) feito por um brasileiro”, comentou.
Ele também citou que as diárias da obra duraram mais do que o esperado. “A produção teve seis ao invés de cinco semanas de gravação. Ganhamos uma a mais, o que foi essencial para nós.”
Semelhanças com ‘Ainda Estou Aqui’
O produtor compartilhou que a diretora Dominga assistiu ‘Ainda Estou Aqui’ e se impressionou com a atuação de Selton Mello, despertando sua vontade em colaborar com o artista. Também citou as semelhanças do personagem do ator no na obra que conquistou um Oscar de Melhor Filme Internacional com o de ‘La Perra’.
“O Selton Mello entrega para a Dominga similaridade com ‘Ainda Estou Aqui’ porque existe uma ausência. Ele perde alguém e esse vazio atravessa o filme inteiro. É a causa de um trauma para a vida da menina e família brasileira”, comentou.
Dificuldade na gravação com animais
Ele citou que duas cadelas foram utilizadas na gravação do filme. Rodrigo ainda observou que, enquanto uma delas era mais agitada, sendo ideal para a gravação de cenas do dia à dia, a outra era mais calma, trazendo uma melancolia à obra.
Contudo, apesar disso, comentou que não foi difícil trabalhar com elas. “Foi simples instruí-las e acompanhar a forma como agiam no set de gravação.”
Entretanto, Rodrigo relatou que foi complicado conseguir financiamento no filme que abordava um cachorro que sofria violência. “As pessoas se comovem com o sofrimento animal. Foi difícil conseguir verba para o filme pois, ao lerem o roteiro, ficavam receosos.”
Valorização do cinema latino-americano
O produtor destacou a importância de reconhecer e enaltecer as produções cinematográficas latino-americanas. “Eles (estadunidenses e europeus) não se importam com nosso Cinema. Precisamos cada vez mais valorizar os nossos trabalhos. Muitas vezes, é melhor do que o deles.”
Ele falou ainda que é delicado fazer previsões sobre o filme brasileiro ser indicado ao Oscar. “Tudo isso depende da distribuição nos Estados Unidos, além do investimento da obra e, principalmente, dos votantes”, pontuou.
Sobre o filme
A obra cinematográfica acompanha a personagem Silvia, interpretada por Manuela Oyarzún. A mulher, solitária, vive em uma ilha remota no sul do Chile e adota uma cadela filhote chamada Yuri. O vínculo das duas desperta desejos reprimidos de maternidade e a força a enfrentar traumas antigos, ressentimentos e relações rompidas do passado. O filme ainda não possui uma data de lançamento comercial confirmada para os cinemas brasileiros.

