“Executar é fácil; pensar é difícil”, defende Daniele Lazzarotto

Fundadora da Cordão falou no Feevale Summit sobre mudança na lógica de trabalho

Daniele Lazzarotto é fundadora e estrategista da Cordão Consultoria de Estratégia. - Crédito: Coletiva.net

A Inteligência Artificial não deve ser encarada apenas como mais uma ferramenta incorporada à rotina de trabalho, mas como uma tecnologia capaz de mudar a própria lógica de atuação dos profissionais. “Executar é fácil, pensar é difícil. Clareza é poder. Com IA, é superpoder.” Essa foi uma das principais provocações de Daniele Lazzarotto, fundadora e estrategista da Cordão Consultoria de Estratégia, durante o Feevale Summit 2026, nesta quarta-feira, 16, em Novo Hamburgo. A explanação fez parte de uma sequência de conteúdo assinada pela Associação Riograndense de Propaganda (ARP), onde ela é diretora de Eventos.

Na palestra, a criadora do curso AI-Strategy defendeu que, diante das transformações provocadas pela IA, profissionais de Comunicação precisam deixar de pensar apenas em tarefas e passar a assumir a responsabilidade pelos resultados que entregam. Para Dani, como é conhecida no mercado, a especialização que marcou a organização do trabalho desde a Revolução Industrial começa a perder espaço diante das possibilidades oferecidas pela inteligência artificial. 

Na visão dela, se o modelo fordista consolidou a divisão das atividades em etapas cada vez mais específicas, a IA permite que um profissional generalista reúna conhecimentos de diferentes áreas e execute funções que antes estariam distribuídas entre diversos especialistas. A mudança impacta diretamente o mercado da Comunicação, onde funções como redação, planejamento, criação e estratégia já convivem com ferramentas capazes de produzir conteúdos, analisar informações e executar tarefas em poucos minutos.

Nesse cenário, a palestrante apresentou o conceito de High Impact Contributor (HIC), pessoa capaz de assumir responsabilidades que tradicionalmente estariam distribuídas entre diferentes integrantes de uma equipe. A ideia é que o profissional do futuro não seja necessariamente aquele que executa melhor uma tarefa específica, mas quem consegue compreender um problema, articular diferentes conhecimentos e conduzir a entrega até o resultado. 

Para chegar a esse perfil, a estrategista apontou três características: repertório e criatividade, pensamento estratégico e fluência tecnológica. Na prática, isso significa ampliar as habilidades para além da área de formação e experimentar diferentes ferramentas de inteligência artificial, incluindo plataformas de criação, programação e agentes autônomos. Ao mesmo tempo, ela ressaltou que o desenvolvimento tecnológico não pode acontecer às custas de competências humanas: leitura, pensamento crítico, compreensão de comportamento e acompanhamento de tendências continuam sendo fundamentais para quem trabalha com Comunicação.

Como se preparar?

Ao abordar a preparação para esse novo mercado, Dani também chamou atenção para aquilo que se deixa de praticar quando uma ferramenta passa a executar determinada atividade. Para ilustrar a ideia, apresentou a frase “o que você não pratica, você desaprende” escrita à mão, em uma provocação sobre como o uso constante da IA pode levar à perda de determinadas habilidades. Para os profissionais de Comunicação, a questão passa a ser encontrar equilíbrio entre aproveitar o potencial das ferramentas e preservar a capacidade de pensar, criar e desenvolver uma voz própria.

Ao final, a estrategista reforçou que a tecnologia tende nivelar como média as entregas, tornando ainda mais importante aquilo que não pode ser facilmente replicado por uma ferramenta. Em vez de competir com a IA apenas pela capacidade de executar tarefas, os profissionais de Comunicação terão de desenvolver repertório, pensamento crítico, visão estratégica e coragem para propor caminhos próprios. Em uma realidade na qual todos podem ter acesso às mesmas ferramentas, a diferenciação, segundo ela, estará cada vez mais naquilo que cada pessoa consegue pensar, interpretar e transformar em uma entrega relevante.


A equipe de Coletiva.net está presente no Feevale Summit, realizado de 15 a 17 de setembro, em Novo Hamburgo. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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