Feevale Summit: Marco Matos defende que atenção vale mais do que visualizações

Jornalista e apresentador do JA falou sobre tempo, identidade e escuta na construção de uma relação de confiança com o público

Marco Matos apresentou exemplos pessoais. - Crédito: Coletiva.net.

No palco ‘Negócios Conscientes Inspiram’, o jornalista e apresentador Marco Matos conduziu a palestra ‘Quem te conhece, compra?’. A pergunta, explicou, não se refere apenas à compra de um produto: também pode significar a decisão de parar para ouvir alguém. O Novo Hamburgo Feevale Summit acontece nesta quinta-feira, 17, no Câmpus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo. 

Para ilustrar a diferença entre alcance e atenção, Marco apresentou dois números de seu Instagram. Seus conteúdos somam cerca de 34 milhões de visualizações por mês, mas ele prefere olhar para outro dado: aproximadamente 1,8 milhão de pessoas dedicaram parte do próprio tempo para assisti-los. Para o jornalista, quem produz conteúdo precisa reconhecer o valor dessa escolha. “Atenção é tempo de vida”, resumiu.

A disputa por esse tempo, observou, tornou-se mais ampla. Se antes um programa de televisão disputava com outros canais, hoje concorre com inúmeras opções de conteúdo e atividades. Marco convidou o público a pensar no que faz alguém interromper a rolagem da tela. Na avaliação dele, a resposta não está apenas no formato da publicação, mas no interesse que ela desperta: rir, entender, descobrir ou resolver alguma questão.

Relevância, conexão e identidade

O apresentador também ponderou que ninguém começa sendo relevante para um grande público. “Está tudo bem começar pequeno. A construção faz parte”, afirmou. Para profissionais e empresas que desejam construir presença nas redes, começar com poucos espectadores faz parte de um processo. Por isso, os números de visualizações não devem ser confundidos com a capacidade de criar conexão.

Ao falar de sua experiência na televisão, Marco contestou a ideia de que inovar exige abandonar os meios tradicionais. “Para inovar, não precisamos brigar com tudo o que já existe. O processo de inovação também parte de entender aquilo que não podemos mudar. Então você preserva isso e atualiza o resto”, ressaltou.

Segundo ele, a TV segue atual e permite conversar diariamente com pessoas que não acompanham seus perfis nas redes. Ao mesmo tempo, a relação com o público pode continuar no celular depois que o programa termina. Nas redes sociais, essa continuidade abre espaço para mostrar outras dimensões de quem comunica. 

Marco defendeu que construir uma identidade não significa falar sempre sobre o mesmo assunto, mas manter coerência entre as diferentes versões que uma pessoa apresenta. Em vez de concentrar toda a atenção no grupo que deseja alcançar, sugeriu olhar também para a própria identidade e para a reação que cada conteúdo pode gerar no outro.

Ao final, o palestrante destacou uma ferramenta que considera essencial mesmo em meio ao avanço da inteligência artificial: a escuta. Com a produção de conteúdo cada vez mais acessível, afirmou, a identidade e a capacidade de ouvir as pessoas ganham valor na construção de relações duradouras e de confiança.

De gente pra gente

Essa não é a primeira vez que Marco participa do Feevale Summit — ele esteve presente como mediador na primeira edição. “Poder voltar, trazer um pouquinho da minha rotina, do que eu faço todos os dias na TV e nas redes, compartilhar um pouco sobre o poder da comunicação e, principalmente, sobre a conexão humana e o valor que ela tem hoje em dia, foi muito especial”, relatou ao Coletiva.net.

O jornalista elogiou o engajamento do público e destacou a importância de trazer assuntos globais para o contexto local. “Falamos de Inteligência Artificial e da economia da atenção, conectando com a realidade das pessoas e produzindo algo que vai refletir certamente na maneira como a região aqui se desenvolve”, ressaltou.

Questionado sobre a importância da autenticidade — um dos principais pontos da sua fala —, ele salientou que a identidade pessoal é muito importante quando se busca criar conexões. Dando seu exemplo, ele citou que até mesmo dentro do ‘Jornal do Almoço’ existe uma busca por mostrar lados diferentes dos apresentadores. Contudo, é nas redes sociais que isso se intensifica. 

“Quem me acompanha vê que eu corro, que eu exponho algumas coisas que estou passando na vida, uns perrengues, um pouquinho das vulnerabilidades da época de adolescência”, exemplificou. Para ele, o contato de humano para humano terá cada vez mais valor. “É assim que eu gosto de trabalhar, sendo próximo das pessoas e entendendo que comunicação é de gente pra gente”, pontuou.


A equipe de Coletiva.net está presente no Feevale Summit, realizado de 15 a 17 de setembro, em Novo Hamburgo. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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