Festivais ampliam experiências para criar pertencimento além da música

Representantes do Rock in Rio, Planeta Atlântida e Itaú discutiram como eventos se transformaram em plataformas de relacionamento

Franklin Costa, Caroline Torma, Rodrigo Montesano e Luis Justo Crédito: Coletiva.net

Os grandes festivais ampliaram suas experiências para criar pertencimento e estabelecer conexões que permanecem além da música. Dentro da programação da Semana Caldeira, em Porto Alegre, a transformação dos eventos em plataformas de relacionamento entre público, marcas e comunidades foi debatida no painel ‘Conexões reais: os grandes festivais muito além da música’, mediado por Franklin Costa, cofundador da OCLB.

Conselheiro da Rock World e CEO do Rock In Rio, Luis Justo falou sobre como o evento foi assumindo a identidade de ‘cidade do rock’ ao longo dos anos, com uma proposta que ultrapassa a programação musical. Segundo ele, o evento carrega, desde a origem, a missão de proporcionar experiências inesquecíveis por meio da música e do entretenimento. 

Para o executivo, as marcas que compreendem esse contexto conseguem alcançar resultados mais relevantes. Isso orienta a relação do festival com os patrocinadores, que são chamados a contribuir com a experiência do público: “Não é apenas chegar lá e colocar seu logo”. Em vez de concentrar a atuação na venda imediata de produtos ou serviços, elas podem aproveitar o ambiente para construir percepção, relacionamento e identificação com as comunidades reunidas pelo evento.

Planeta Atlântida

A diretora-executiva de Marketing e Negócios TV e Entretenimento do Grupo RBS e head do Planeta Atlântida, Caroline Torma, apresentou o evento como um festival local com “alma global”. Ao longo de três décadas, o encontro passou a reunir diferentes gerações, tendo como desafio conservar a relação com quem o acompanha há mais tempo e, simultaneamente, preservar o espírito de descoberta para quem participa pela primeira vez.

Embora a música permaneça como a espinha dorsal do Planeta, Caroline ressaltou que o público também busca a festa e as experiências oferecidas ao longo da programação. Nesse ambiente, as marcas precisam estar inseridas de forma orgânica e gerar valor. “Não adianta colocar dinheiro sem estratégia”, pontuou. Como exemplo da força dessa associação, ela citou que os ‘planetários’ frequentemente lembram de patrocinadores como a Renner antes mesmo das empresas responsáveis pela realização do festival — Grupo RBS e DC Set Group.

Pelo olhar do patrocinador

O superintendente de Experiências e Conexões de Marca do Itaú, Rodrigo Montesano, afirmou que o sucesso de um patrocínio não pode ser medido apenas pela exposição obtida. Apoiador do Rock In Rio, o banco acompanha indicadores desde a pré-venda de ingressos, como o número de clientes que compraram, parcelaram os valores ou receberam cashback. As estratégias também mudam conforme a curadoria de cada dia, com ações específicas para públicos como os fãs de k-pop e de metal.

Conexões reais

Os painelistas também abordaram a importância do encontro presencial em um cenário marcado pelas interações digitais. Para Justo, os eventos ao vivo valorizam justamente o improviso e aquilo que foge da jornada planejada. “A experiência só acontece quando alguma coisa sai do esperado, para o bem ou para o mal”, afirmou.

 

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