
O futebol feminino vive um momento de expansão no Brasil e no mundo, criando novas oportunidades de negócios, relacionamento com torcedores e posicionamento para as marcas. Esse foi o ponto central do painel ‘Futebol feminino: o esporte que mais cresce no calendário esportivo brasileiro. Sua marca vai torcer ou vai jogar?’, que ocorreu nesta terça-feira, 22, durante a Semana Caldeira. Participaram da conversa Liana Bazanela, da HOC Sports, e Monica Espiridião, Chief Strategy Officer (CSO) da FSports.
Uma presença especial na plateia ajudou a traduzir o vínculo que o futebol feminino pode estabelecer com seu público. Beatriz Furtado, de 11 anos, jogadora de futebol, levou cartazes feitos por ela para homenagear a atacante da Seleção Brasileira Bia Zaneratto, que sonha conhecer. A menina foi citada diversas vezes durante a apresentação como exemplo da relação afetiva que o esporte é capaz de construir.
Monica, que assumiu recentemente a posição de CSO da FSports, empresa responsável pela comercialização de ativos estratégicos ligados ao esporte, destacou que a trajetória do futebol feminino foi construída em meio a restrições e mudanças profundas. Ela lembrou que, durante 40 anos, mulheres foram impedidas de praticar futebol no Brasil.
De proibido a mercado em expansão
De 1941 a 1972, decretos e restrições impediram a prática do futebol feminino no Brasil. A primeira Copa do Mundo feminina foi realizada em 1991, na China. Desde então, a modalidade passou por um processo de crescimento que ganhou novos contornos especialmente a partir da década de 2010.
A Copa de 2015, realizada no Canadá, foi apontada como um dos momentos de expansão. O torneio levou 1,35 milhão de torcedores aos estádios. Na mesma edição, a Seleção Brasileira passou a utilizar um uniforme desenvolvido especificamente para as jogadoras. Até então, as atletas utilizavam versões de uniformes produzidas anteriormente para as equipes masculinas.
Um mercado que cresce
Os números apresentados no painel mostram a dimensão que o futebol feminino alcançou. De acordo com os dados citados por Monica, a base global de fãs da modalidade está em cerca de 500 milhões de pessoas, com previsão de chegar a 800 milhões nos próximos anos.
No ambiente digital, o futebol feminino também ganha espaço. O Campeonato Brasileiro feminino está entre as cinco competições mais buscadas no Google, segundo os dados apresentados, com crescimento de 300% nas buscas.
A Copa do Mundo de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, foi apontada como outro marco. O torneio alcançou cerca de 2 bilhões de espectadores e levou 1,98 milhão de torcedores aos estádios. O impacto econômico foi estimado em AUD$ 1,32 bilhão (dólares australianos)
A transformação também pode ser observada em casos de marcas. Monica citou a Avon, que vendeu 1 milhão de batons após a jogadora Marta aparecer utilizando o produto durante a Copa de 2019. Outro exemplo apresentado foi o da Nike, que patrocinou 14 clubes e registrou crescimento nas vendas de produtos ligados ao futebol feminino. Para a executiva, os números ajudam a explicar por que o futebol feminino deixou de ser apenas uma pauta de representatividade para também se tornar uma oportunidade comercial.
O torcedor reconhece quem está no jogo
A relação entre marcas e torcedores foi outro ponto destacado. Segundo pesquisa apresentada no painel, 24% dos entrevistados passaram a gostar mais de marcas patrocinadoras, enquanto 23% demonstraram maior preferência por comprar produtos dessas empresas. Outros 26% apresentaram maior probabilidade de adquirir produtos de marcas associadas às competições no período analisado.
A FSports passou a atuar comercialmente no futebol feminino com contratos que abrangem o período de 2025 a 2029, com possibilidade de renovação. Entre os ativos estão a Seleção Brasileira feminina e competições nacionais.
Monica destacou que o calendário representa uma presença constante para as marcas: são cerca de 240 jogos por temporada, distribuídos por 27 Estados e ao longo de 12 meses de exposição na mídia. A estratégia, segundo ela, vai além da simples inserção da logomarca. As empresas podem trabalhar com conteúdo digital, ativações, atletas como embaixadoras, projetos sociais, competições de base e iniciativas ligadas às escolas.
“A gente precisa entender que oportunidade existe para entrar no futebol feminino”, ressaltou Monica, ao defender que as marcas podem participar da construção do ecossistema, e não apenas comprar espaços de exposição.
Mais do que patrocinar
Ao longo do painel, a mensagem central foi a de que o futebol feminino oferece às empresas diferentes formas de participação. Uma marca pode se associar a atletas, apoiar projetos sociais, criar competições de base, desenvolver ligas escolares ou construir ações específicas para determinadas comunidades.
As falas no painel mostram que o futebol é uma das poucas experiências capazes de retirar pessoas de diferentes idades do ambiente exclusivamente digital e levá-las para uma experiência presencial. Para as executivas, é justamente nessa combinação entre conteúdo, comunidade, experiência e esporte que está uma das principais oportunidades para as marcas.
A equipe de Coletiva.net está presente na Semana Caldeira, realizada de 21 a 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Luma Costa, Márcia Christofoli, Márcia Dihl, Patrícia Lapuente Sarah Acosta, as assistentes de Redação Ana Rosa Scheibe e Ronise Garcia, bem como a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

