GovTech: deepfakes exigem nova abordagem para proteção da identidade digital

Último palestrante do evento apresentou técnicas avançadas de fraude e trouxe alertas sobre segurança

Luis Felipe Monteiro mostrou como criminosos têm utilizado tecnologias cada vez mais sofisticadas. - Crédito: Cassius Souza.

O GovTech Summit 2026 chegou ao fim na tarde desta quarta-feira, 3, no Centro de Eventos da PUCRS, com um alerta sobre como as fraudes digitais impulsionadas por inteligência artificial — especialmente os deepfakes — estão evoluindo em velocidade superior à capacidade de muitos sistemas de proteção. Quem falou sobre o tema foi Luis Felipe Monteiro, CEO para a América Latina da Unico, especialista em verificação de identidade. 

Ao longo da apresentação, o executivo mostrou como criminosos têm utilizado tecnologias cada vez mais sofisticadas para burlar sistemas de autenticação digital. Isso traz desafios em equilibrar a experiência dos usuários legítimos com a necessidade de impedir o acesso de fraudadores.

Monteiro explicou que os ataques mais comuns podem ser divididos em duas categorias. A primeira é formada pelos chamados ataques de apresentação, nos quais o criminoso utiliza fotografias, vídeos, imagens sintéticas ou máscaras para se passar por outra pessoa diante dos sistemas de validação. Já a segunda envolve os ataques de injeção, quando o fraudador compromete diretamente o sistema.

De máscaras ao deepfake

Entre os exemplos apresentados, o executivo destacou uma técnica que utiliza espelhos para potencializar a qualidade dos deepfakes. O método consiste na construção de uma estrutura física com telas curvas e espelhos posicionados estrategicamente para reproduzir imagens sintéticas diante da câmera do dispositivo utilizado na autenticação.

Segundo Monteiro, esse tipo de configuração cria efeitos de profundidade, iluminação e sombras capazes de simular a presença real de uma pessoa. Isso dificulta a identificação da fraude pelos sistemas tradicionais. Outro recurso citado, embora menos comum, foram as máscaras realistas produzidas sob encomenda. 

De acordo com ele, muitos dos mecanismos tradicionalmente utilizados para verificar a presença humana já não oferecem o mesmo nível de proteção. Movimentos aleatórios solicitados pelos sistemas, por exemplo, podem ser reproduzidos em tempo real por tecnologias de deepfake capazes de substituir rostos instantaneamente durante a interação.

Para o executivo, a combinação entre motores biométricos de última geração, provas de vida avançadas e mecanismos especializados na detecção de fraudes continua sendo o caminho mais eficaz para enfrentar a nova geração de ataques digitais. Além disso, ele ressaltou a importância de treinar continuamente os modelos de proteção a partir de casos reais de fraude, permitindo que os sistemas acompanhem a rápida evolução das ameaças.


Com o apoio da Prefeitura de Canoas e, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.

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