
Mais de quatro décadas dedicadas à investigação e à cobertura criminal renderam o livro ‘Crime S.A. – 40 anos de investigação jornalística’, do repórter Humberto Trezzi. Lançada hoje, 30, durante o 21º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a obra reúne 12 relatos de investigações transformadas em narrativas das páginas policiais, sobretudo do jornal Zero Hora.
Perguntamos o que mudou ao longo desses mais de 40 anos de investigação, e Trezzi foi categórico: “Tudo. Crimes que hoje são considerados banais, como arrombamentos, eram manchete de capa dos jornais e, atualmente, nem viram notícia. O crime se organizou e hoje depende muito mais do cruzamento de bancos de dados. Antes, também íamos muito mais a campo, checávamos informações pessoalmente, como visitar desmanches de carros”, enumerou.
Autor de ‘Terreno Minado’, publicado em 2013 e vencedor do ‘Prêmio Esso de Jornalismo’, Trezzi reúne, nesta nova obra, parte da essência do Jornalismo Investigativo e da capacidade de perseguir uma história onde quer que ela esteja, seja em casos de agiotagem, seja na investigação do contrabando de armas na fronteira com o Uruguai.
“Sempre gostei de atuar nessa área movido pela emoção e pela aventura. E sempre fui motivado pela missão que o jornalista tem de cumprir: denunciar quando identifica algo errado e alertar a sociedade”, afirmou.
Publicado pela Carta Editora, o livro conta com texto de orelha assinado pelo repórter Carlos Wagner e prefácio do colega de redação Fábio Schaffner. Além de apresentar os bastidores da apuração, a obra resgata investigações que marcaram época e evidencia como o trabalho investigativo evoluiu sem perder sua essência.
Em tempos de produção acelerada de conteúdo e excesso de informação, ‘Crime S.A.’ também funciona como um importante lembrete: investigação jornalística continua sendo um exercício de método, de construção e manutenção de uma rede sólida de fontes e de compromisso com o interesse público. É uma leitura recomendada não apenas para estudantes e profissionais da comunicação, mas para todos que desejam compreender como o jornalismo é capaz de revelar aquilo que muitos prefeririam manter oculto.
Entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, o Coletiva.net traz uma cobertura especial do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Com relatos de Carolina Rispõlí, da Emanacom, direto de São Paulo, os leitores acompanharão debates, bastidores e tendências do evento, em conteúdos exclusivos para o portal, a Coletiva.rádio e as redes sociais.

