
A transformação na relação dos brasileiros com o esporte após os Jogos Olímpicos de Paris 2024 foi debatida em um painel na Semana Caldeira, nesta quarta-feira, 23. O encontro reuniu a medalhista olímpica Jade Barbosa e o head Comercial do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Gustavo Herbetta, com mediação do jornalista Duda Garbi.
Com 30 anos dedicados à ginástica artística, Jade recordou que, no início de sua trajetória, o público tinha pouco acesso às competições da modalidade. “Tudo o que eu queria era ter a chance de assistir à minha ginasta brasileira favorita em uma competição, mas não tinha acesso”, relatou. Para ela, passadas essas três décadas, é uma satisfação ver esse cenário mudando.
Além disso, segundo a atleta, essa maior visibilidade também permitiu que os brasileiros conhecessem as trajetórias existentes para além dos resultados. “Ao longo desses anos, conseguimos construir uma história, e essas histórias juntas são transformadas em propósito”, observou.
Ginástica na boca do brasileiro
A final por equipes da ginástica artística feminina em Paris, na qual o Brasil conquistou uma medalha inédita – o bronze por equipes -, também foi apontada como um dos exemplos dessa aproximação. Herbetta destacou que a disputa registrou a maior audiência da Globo durante a cobertura olímpica. Para Jade, a conquista começou a ser construída muito antes daquele dia, após quase três ciclos olímpicos de trabalho conjunto.
O impacto da campanha realizada antes e durante a competição ficou evidente para a medalhista após o retorno ao Brasil, quando percebeu o público discutindo detalhes técnicos da modalidade. “Quando eu imaginaria que as pessoas estariam debatendo nota de partida e nota de execução? Com a linguagem da ginástica na boca do brasileiro? Quando falamos em conquistar, é sobre entrar no coração das pessoas”, disse.
Audiência do público é vantagem para marcas
Herbetta reforçou que a exposição dos atletas cria um ciclo capaz de beneficiar todo o sistema esportivo. Quanto mais espaço as modalidades conquistam, maior é a audiência e o interesse das marcas, o que amplia os investimentos e contribui para a evolução do desempenho. “Não existe alta performance sem investimento. É uma relação completamente direta”, afirmou.
De acordo com o executivo, 92% dos brasileiros acompanharam alguma competição durante os Jogos de Paris, enquanto a CazéTV alcançou 50 milhões de pessoas. Nas redes sociais, o Time Brasil lidera em engajamento entre os 206 comitês olímpicos desde 2022, e ocupa a segunda posição em número de seguidores, atrás apenas dos Estados Unidos.
A equipe de Coletiva.net está presente na Semana Caldeira, realizada de 21 a 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Luma Costa, Márcia Christofoli, Márcia Dihl, Patrícia Lapuente Sarah Acosta, as assistentes de Redação Ana Rosa Scheibe e Ronise Garcia, bem como a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

