
Na Semana Caldeira, evento realizado entre os dias 21 e 25 de setembro, uma das pautas em discussão foi a mudança no comportamento do consumidor. Em conversa exclusiva com a equipe de reportagem do Coletiva.net, Juliana Biasi, head de Marketing do Mercado Livre, falou sobre a relação do público com as marcas e compartilhou iniciativas implementadas pela companhia.
Questionada sobre o que faz com o que o consumidor escolha uma marca, Juliana pontuou que, ao tratar-se do Mercado Livre, a companhia utiliza de algumas estratégias para alcançar a audiência. Uma das propostas é ter alavancas que possam gerar compras de impulso e oportunidade. Ela acredita que são ações pontuais, mas que para conseguir trazer recorrência para esse comprador, é preciso garantir se o que está sendo prometido está sendo entregue.
Em resumo, o cliente deseja ter uma boa experiência, com um entrega rápida, com usabilidade fácil e que tenha uma jornada de forma agradável. “Também tem a relação com a marca, de estar em momentos em que aquela pessoa está tendo uma troca genuína com a empresa e com a identidade”, completou.
Deve existir uma construção de relação com o consumidor, onde possa haver uma conversa em um formato leve e bem-humorado, o que pode gerar uma identificação com a empresa. “Mas a marca, bem construída, sim, consegue reter e atrair esse cliente por mais vezes”, comentou. Conforme a entrevistada, sair de um modelo padrão e descobrir o que vale a pena pode ser um desafio ainda maior em tempos de Inteligência Artificial (IA).
Entendendo o consumidor
Para Juliana, é preciso tomar cuidado com as novas formas e canais de Comunicação, para que os conteúdos não se tornem tão semelhantes aos de outras organizações. “Estamos vendo esse boom de creators, social commerce e de live shopping. No Mercado Livre também fazemos, mas com a nossa personalidade e o nosso jeito”, explicou.
A questão é não apenas seguir as tendências, mas compreender o seu usuário. “É preciso entender o seu consumidor, ter alavancas que te possibilitam arriscar, olhando para a sua vantagem competitiva, conseguindo-se construir essa diferenciação. Acredito que assim é uma forma de você ver onde você pode investir e não ficar nesse padrão”, completou.
Ferramentas que geram conexão
Uma das novidades do Mercado Livre, apresentada por Juliana no painel em que participou, foi a produção de lives que possibilita a compra imediata. De acordo com a head de Marketing, a live não é um canal de conversão, visto que o objetivo naquele instante não são as transações. O resultado de uma venda é importante, mas se torna um foco secundário.
“Temos que encarar aquilo ali como Entretenimento, como um momento de relaxamento e de conexão daquele consumidor com a sua plataforma”, relatou. A proposta da iniciativa é entregar um conteúdo que tenha descoberta e investigação, com a ideia que seja algo relevante.
Somente após atingir essa fase de interesse e aprofundamento é que a experiência se voltará para a compra. Uma outra estratégia é a exclusividade para o usuário que está acompanhando a transmissão. “Os preços que a gente tem dentro das lives do Mercado Livre, você não acha em nenhum outro lugar. Disponibilizamos cupons e ofertas específicas”, disse Juliana.
O objetivo é proporcionar, além do Entretenimento e da interação, uma vantagem. “Acredito que a maioria das marcas acabam identificando o live commerce como um canal de vendas. No Mercado Livre tratamos como um formato de Entretenimento, de conteúdo relevante que, eventualmente, gera vendas”, finalizou.

